A primeira vez que vi a neve – um sonho realizado

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Nem sei exatamente quando foi que comecei a sonhar em conhecer a neve. Eu ia começar esse texto dizendo que sempre sonhei com isso. E deve ser verdade, mesmo. Ou quase. Porque sempre é muito tempo. Mas o fato é que desde criança, pelo menos, eu tenho certeza, passando pela adolescência também. Afinal, é grande a influência da quantidade de filmes, desenhos animados, tudo vindo do exterior, especialmente do hemisfério norte, então tudo com muita neve, guerrinha de neve, bonecos de neve, e tudo isso permeado por sorrisos e risadas – ou, mais tarde, por encontros amorosos… o imaginário fica tomado pela sensação de que estar na neve é algo mágico, feliz e necessário. E acho que por ser uma realidade tão distante faz essa magia aumentar!

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Só adulta me toquei que, apesar do clima feliz que sempre reinava, havia um outro clima, o meteorológico, que, no meu caso, não seria tão feliz assim. Detesto frio. De-tes-to. Sou daquelas que com 25 graus já está dormindo de meia, com 20 graus já está usando cachecol, se chegar a 15 sou capaz de me recusar a sair de casa e ficar dias enrolada em cobertores e edredons. Isso sem falar no meu nariz, todo trabalhado nas alergias. Frio pra mim é sinônimo de preguiça, de espirros, de dor para respirar, de sinusite. E se para estar na neve era imprescindível, também, estar no frio (e um frio real muito abaixo dos, para mim, já insuportáveis 15 graus), o sonho foi ficando guardado num cantinho.

Mas sabe aquele cantinho que vira e mexe a gente vai lá ver se está tudo ok? Aquele cantinho onde ficam os gorros, as luvas, essas coisas que no dia a dia a gente nem lembra, mas sabe que está ali, vai que um dia a gente precisa… Era num cantinho assim que estava o sonho de conhecer a neve, guardadinho, pronto para quando eu resolvesse “usá-lo”. Porque era fato que esse dia haveria de chegar. E chegou.

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Claro que uma viagem à Europa ou aos Estados Unidos no inverno era absolutamente inviável. Eu não tinha – não tenho! – condições nem físicas nem psicológicas para isso. Então fui buscando outras alternativas e fiquei muito animada quando descobri que no Chile a neve permanece no topo da Cordilheira dos Andes até meados de setembro, quando o tempo na capital, Santiago, já não está tãaaao frio. Entre saber disso e realmente ir, levou um tempo. Até que finalmente comprei as passagens. Tudo organizado, expectativa nas alturas.

Dos cinco dias que passei por lá, deixei a neve para o último. Tinha colocado logo no primeiro, mas depois achei mais prudente mudar. Vai que eu gripasse (hipocondríaca), pelo menos já estaria na hora de voltar para casa. Então pude aproveitar a cidade, passear bastante, e fechar com chave de ouro. Quando eu abro os braços na foto é sinal de muita empolgação (preciso arrumar outra pose que traduza isso). 😛

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Fiz esse passeio com a agência Sousas Tour. O micro-ônibus passou pontualmente às 6h40 no hotel. E ter saído assim tão cedinho foi ótimo, porque pegamos os lugares não muito cheios e sem grandes filas, o que costuma acontecer mais tarde. O passeio custa 27.000 pesos chilenos (mais 20.000 para entrar no parque e mais 25.000 do aluguel da roupa térmica/impermeável). Convertendo em reais, 77.000 pesos chilenos equivalem a cerca de R$ 390,00. Não é barato, mas vale a pena!

No total, além do percurso por dezenas de curvas intensas e tensas (tome um Dramin!), são duas horas e meia em Farellones, uma hora e meia no Valle Nevado, e algumas paradas em outros pontos pelo caminho – tanto antes de chegar, quando vimos o sol surgindo e o orvalho congelado nos galhos secos de árvores, como já na montanha, em locais de mais neve ou com belo visual.

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Eu curti demais. Demais. Mesmo. Em Farellones, que é tipo um parque e que foi a primeira parada e o primeiro contato real com a neve, dá para fazer tirolesa, andar de teleférico e ver tudo do alto, brincar de tubing (descer na boia) deslizando pela neve…

No Valle Nevado, que é uma estação de ski, é mais para apreciar a vista – e que vista! Mas tem também restaurantes, lojinhas e até hotéis. Ah, e tem wifi! ahahah Lá de cima fiz até uma chamada de vídeo para minha mãe pelo Whatsapp.

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Fico lembrando da sensação ao ver tudo aquilo e, principalmente, ao colocar os pés pela primeira vez na neve! Tive e ainda tenho vontade de chorar de emoção. Eu pisava firme meio que para ter certeza que era de verdade.

Olhar toda aquela imensidão branca, aquele sol azul (fazia um lindo dia de sol)… Depois pegar a neve… Jogar pra cima! Só não rolei porque me achei grande demais pra isso. É difícil explicar. Foi mágico, como eu tinha sonhado! E é tão bom realizar, né?

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Ah, uma coisa engraçada é que no meu imaginário (quase) infantil, fazer um boneco de neve era tipo a coisa mais simples do mundo. Pegar um monte de neve, ir juntando e pronto. Só que não! O gelo é duro, não é fácil!

Peguei um já com corpo, fiz uma cabeça, peguei uns galhinhos para fazer o rosto e ficou uma coisa tão horrorosa que sinto um misto de pena (dele, tadinho, porque na minha cabeça ele é real) e de vontade de rir (dele também e de mim). hahaha Depois fiquei até achando fofo, porque no fim das contas ele parece feliz! 🙂

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E eu estava feliz! Foi divertido, valeu a experiência. Como tudo naquele dia! Me senti a própria Elsa de Arendelle – ainda que sem o meu Olaf. “Let it go, let it go… The cold never bothered me anyway”.

Para ler ouvindo:

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