Todo o meu ouro

A primeira vez que fui a Ouro Preto, Minas Gerais, tinha uns 15 anos ou nem isso. Tínhamos ido de férias para a praia, em Marataízes, no Espírito Santo, onde meu tio ainda hoje tem uma casa e, na volta para Minas, minha mãe quis que passássemos em Ouro Preto, pois queria que eu e minha irmã conhecêssemos a cidade. Estávamos em dois ou três carros, com motoristas, e apenas o ‘nosso’ carro parou. Eu, minha mãe, minha irmã e meu primo Cristiano.

Passeios em Ouro Preto

Foram apenas algumas horas, algumas igrejas, algumas ladeiras. O suficiente para despertar uma paixão eterna. Lembro de ficar deslumbrada com tudo, querendo fotografar, querendo ficar mais, enquanto minha irmã queria ir embora logo. Minha mãe, como sempre tentando controlar e contornar nossas diferenças, chamou para que fôssemos embora. Disse que eu poderia voltar em outro momento, no futuro.

E voltei. Na época da faculdade, fui com umas amigas passar um dia na cidade. O pretexto era fazer uma matéria para uma disciplina que já não me lembro. Definimos que Ouro Preto seria a pauta, pegamos um feriado e fomos cedinho para voltar de noite. Entrevistamos um guia (era um garotinho), alguns turistas e fomos em algumas repúblicas de estudantes. Numa delas fizemos amizade e fomos convidadas a voltar no Carnaval.

Festas

Foi assim que descobri a Ouro Preto das festas que, por muitos outros carnavais, fez parte da minha vida. Há shows, há blocos nas ruas, há festas nas casas, há folia para todos os gostos. Com ou sem bebida incluída. Com ou sem abadá. De graça ou pagando. Desde as repúblicas de estudantes mais organizadas e caretinhas até as mais festeiras, onde não se dorme e onde ninguém é de ninguém. Vai gente de todos os lugares do Brasil e do exterior. Posso garantir que foi lá que passei os melhores carnavais da minha vida. Velhos tempos. Não tenho mais idade nem disposição. rs

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Isso sem falar no Festival de Inverno, sempre com shows maravilhosos na Praça Tiradentes, peças de teatro, palestras e oficinas superbacanas, das quais muitas vezes pude participar. Teve até a gravação de um DVD do Skank e eu fui nos dois dias!

Cultura

Mas as festanças não apagavam meu apego pelo lado cultural. Mesmo se o objetivo da minha ida fosse a diversão, eu fazia questão de ir ou pelo menos passar pelas igrejas e pelos museus, fora que o simples fato de andar pelas ruas (prepare o condicionamento físico e leve uma garrafinha d’água, você vai precisar) já é, por si só, uma viagem no tempo. Entrar naquelas casas com porão, tinha uma que, no Carnaval, transformava o porão em boate. Tenho só lembranças lindas dessa cidade. Sempre sóbria, diga-se de passagem!

Depois que vim morar no Rio, não fui mais lá. Minhas idas a Minas são sempre corridas e cheias de coisas para fazer, pessoas para ver, sono para colocar em dia, etc. Mas quero (e vou) voltar. E espero que ainda exista, na Rua Direita, a lanchonete “Beijinho Doce” e seu pavê de Sonho de Valsa.

Para ler ouvindo:
https://www.youtube.com/watch?v=X-CmR4SHDK0

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