A patrulha da viagem perfeita

Hoje em dia tem patrulha para tudo o que diz respeito à vida alheia. E as viagens não ficam de fora. Todo mundo que fica sabendo que você foi/vai para determinada cidade tem um palpite para dar e, principalmente, para apontar, em tom de crítica, dizendo que se você não passou naquele lugar, mas nossaaaaa… Não sabe o que perdeu. Será mesmo?

Veja bem, palpite é diferente de dica! Dicas todo mundo tem que dar mesmo e aliás é ótimo ouvi-las e anotá-las. Pesquise sobre todas elas, veja o que te atrai, mas lembre-se: a SUA viagem tem que ser feita do SEU jeito. Um amigo pode ter amado uma experiência X que nada tem a ver com você. E mesmo que várias pessoas digam que uma atração é imperdível, não significa que você tem necessariamente que ir, nem que sua viagem foi pior porque você não foi. Da mesma forma que você pode fazer um programa hiperrecomendado e não curtir.

Sempre adoro ouvir as histórias de viagens de todo mundo e até comentar sobre quem foi ou não a determinado passeio, expor opiniões, mas sem juízo de valor. É que tenho um certo bode de quem critica as escolhas – no caso, as viagens – dos outros. Foi bom pra você? Então tá ótimo! É isso o que importa. Copiando uma frase bonitinha que um amigo me falou no WhatsApp depois de um desabafo meu em plena Nova York por não saber lidar com essa patrulha da viagem perfeita, “obrigação a gente tem é de aproveitar a viagem do nosso jeito, só isso”.

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Mas os patrulheiros do comportamento alheio não deixam barato. Você foi a tal cidade e não comeu num determinado restaurante? Poxa, então nem dá pra dizer que você foi a tal cidade. Quantas vezes já ouvi isso? Eu normalmente otimizo as viagens, para fazer o máximo possível de coisas do meu interesse em pouco tempo e sem gastar muito. Aí logicamente que muitas das dicas e recomendações ficam de fora. E é ok! A menos, é claro, que você realmente não faça nada que remeta a conhecer a cidade. Precisa subir a Torre Eiffel em Paris? Não. Mas é bom pelo menos vê-la, nem que seja de longe. Precisa andar de barco no Rio Sena, ir ao Louvre? Também não, mas também é bom vê-los. Agora, se a pessoa vai para ficar hospedada no subúrbio de Paris, por exemplo, é só explora a redondeza, aí sim eu provavelmente diria “Nossa, então nem dá pra dizer que você foi a Paris”. Mas eu sei, estaria sendo chata também.

viagem-perfeitaUm exemplo prático mais próximo, que vivo com frequência: pessoa quer vir conhecer o Rio e me pede dicas. Eu sei que ir ao Cristo, Pão de Açúcar, são programas caros e que tomam tempo. Mas tem que pelo menos passar por eles, por Copacabana, por Ipanema, um basicão. Se a pessoa ficar no Recreio e não sair de lá, talvez não se possa mesmo dizer que conheceu o Rio. Mas se viu todos esses lugares, qual a necessidade de dizer “Ah, mas Grumari é a praia mais linda da cidade, se você não foi lá então nem valeu ter ido ao Rio”. Sorry, gente. Valeu sim. Sempre vale. Até mesmo não sair do Recreio ou do subúrbio de Paris, se esse era seu desejo e seu objetivo.

Confesso que, às vezes, me sinto até sem jeito ou com vergonha de falar que não fui ao lugar X ou que troquei o Y por um outro que, embora todo mundo tenha falado mal, eu tinha vontade de ir mesmo assim. Só pra evitar os comentários. Porque aborrecem, né? E quem sabe numa próxima eu vou, ué! Ou não, vai saber, de repente pode bater uma vontade de ficar no hotel descansando.

É querer demais menosprezar a viagem do outro só porque ele não fez algo que você acha o máximo. Acho megachato quando conto empolgadona de uma viagem, de tudo que fiz, etc, e a resposta é simplesmente “ah, mas que pena que não foi ao local X”. Você devia ter ido… devia ter feito… devia ter comido… devia ter comprado… devia ter visto… Como se nada do que você fez fosse interessante! Ora bolas, eu fui, fiz, comi, comprei, vi tanta coisa bacana! Na próxima nem conto. Me limito apenas a dizer que foi tudo ótimo, pq né?, #nãosouobrigada.

Imagem: Travel photography postcard | Free vector by Vector Open Stock

Para ler ouvindo:

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