Como a arte e a cultura mudaram a cara da antiga Rua da Zona em São João del Rei

Na rodoviária de São João Del Rei, cidade histórica de Minas Gerais, entrei em um táxi para seguir até o AZ Hostel, onde ficaria hospedada. Achei que, por ser interior, todo taxista saberia a localização de qualquer hospedagem apenas pelo nome.

Ele não sabia e peguei o celular para olhar o endereço: Rua Marechal Bitencourt, 73. “Não conheço essa rua, senhora”. Resolvi então ler o nome que estava entre parênteses e que, até então, eu tinha evitado falar: Antiga Rua da Zona. “Ah, Rua da Zona, claro!” E fomos.

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Só depois, conversando com a Flávia, proprietária do AZ Hostel, é que fui saber toda a história do local. Antiga Rua da Zona é autoexplicativo né? Pois é. No passado o local era um ponto de prostituição e acabou ficando conhecido por esse nome – e por todo o estigma que isso traz.

AZ Hostel, na antiga Rua da Zona

AZ Hostel, na antiga Rua da Zona

História da Rua da Zona

Marechal quem???

Marechal quem???

Em um texto escrito pela Flávia (“Onde fica a Rua Marechal Bittencourt?”) ela explica que a primeira denominação da rua é datada do século XVIII. A Rua da Caxaça (na grafia antiga) era assim conhecida pelo número de casas, tavernas e botequins que vendiam a aguardente de cana.

No século XIX, passou a se chamar Rua da Alegria, conforme citação de 1859. Em 1883, recebeu a denominação oficial de Rua Tiradentes. Em 1923, em homenagem a um morador, teve seu nome trocado para Rua João Jacó. Com a construção da Praça Dr. Salatiel e a divisão da rua em duas partes, João Jacó cedeu sua parte para o Marechal Bittencourt, ministro da guerra na época do massacre de Canudos.

Reza a lenda que o próprio Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que nasceu na cidade, teria aprendido a ler e escrever em uma escola modesta que ficava nessa rua nos idos de 1750. Mais tarde, foi um frequentador da zona em suas visitas à terra natal, tanto para relações amorosas como para encontros com aliados para conversar sobre seus projetos de libertação (isso inclusive passou na série “Liberdade Liberdade”, quem viu? #referências).

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Foi só por volta de 1970 que um empresário começou a vislumbrar a possibilidade de revitalização da Rua da Cachaça e, encantado com o lugar, comprou dois imóveis na rua e manteve as prostitutas no local, sem qualquer cobrança. Na década de 80 convidou empreendedores da cidade para se reunirem com moradores visando revitalizar a rua através da instalação de espaços culturais, galerias de arte, livrarias, bares, cafés, restaurantes e hospedagem. Esse projeto ganhou o nome de “Zona Chic”, mas, por falta de interessados em investir, acabou não indo para frente.

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Rua Marechal Bittencourt, mas pode chamar de Rua da Zona

A Rua da Zona hoje

Desde então muitas ações já foram feitas para revitalizar a rua. Algumas deram certo, outras tiveram sucesso temporário, mas todas contribuíram de alguma forma para reverter a imagem do local, que hoje já é chamado de “Lapa Sanjoanense”, em uma comparação com o bairro boêmio da Lapa, no Rio de Janeiro (amo!).

Moradores da região contam que as pessoas tinham medo de passar na rua à noite – e algumas até durante o dia – por causa do estigma existente em locais de prostituição. Mas hoje as coisas são diferentes. Com o tempo a rua se tornou um pólo cultural e gastronômico na cidade, que fica lotado principalmente nos fins de semana, atraindo cada vez mais moradores e turistas.

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Taberna d’Omar

Restaurantes e bares em São João del Rei

Um dos pontos mais recomendados atualmente na Rua da Zona é a Taberna d’Omar. Fui no sábado à noite, sentei em uma mesinha na janela, com vista para a Igreja Nossa Senhora do Carmo. Lá pedi um risoto de cogumelos salteados no azeite e finalizado com queijo catauá que estava di-vi-no!!! Tudo isso ao som de um sambinha da melhor qualidade! Uma pena que ninguém se levantou para dançar, só estava esperando o primeiro pra ir junto. =) Gostei tanto que no dia seguinte voltei para almoçar.

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Risoto da Taberna d’Omar: da série coisas que comi em viagens e vou sentir saudades sempre!

Há, ainda, na rua e nos arredores, outros bares e restaurantes como o Barteliê, Cumbuca de Barro (onde comi um caldo de mandioca ótimo), Bistrô Solar da Baronesa, e estabelecimentos como o Centro Cultural da Universidade Federal de São João del Rei (onde visitei a exposição do artista local Diego Mendonça), o Centro Cultural Feminino, o Centro de Referência Musicológica José Maria Neves, e o AZ Hostel. Todos em casarões históricos lindos, o que garante um charme a mais.

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Caldo de mandioca no Cumbuca de Barro (e esse porta temperos de carro de bois, que coisa linda!!!)

Em outra rua, mas bem próximo, fica também o Mercado Municipal de São João del Rei, cheio de coisinhas locais e comidas típicas. Uma pena que passei por lá com um pouco de pressa, porque adoro esses mercados! O Samba na Praça e o Carnaval são outros eventos que acontecem na região.

Delícias do Mercado Municipal

Delícias do Mercado Municipal

A maioria do frequentadores dessa região é formada por universitários e um público mais ‘cult’. Mas acho que qualquer pessoa vai curtir, até porque há opções diferentes – mais romântico, mais jovem, mais casal… Eu, que estava sozinha, achei supertranquilo e me senti bem à vontade em andar por lá. Entrei em alguns lugares, em outros só vi do lado de fora e fiquei observando o movimento. Tudo muito bonito, agradável! É um programa que certamente recomendo para quem procura um lugar legal para sair em São João del Rei!

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