O que faz você feliz?

Mesmo sabendo que cada pessoa tem seus desejos, suas necessidades, seus anseios, seus sonhos, vira e mexe a gente ainda coloca todo mundo no mesmo barco, como se o conceito de felicidade fosse um só. Pra mim sempre foi tão claro que tudo é diferente e, portanto, felicidade não deve ser comparativa. Nem é mensurável. Mas, ainda assim, e ainda hoje, muita gente se espelha no conceito de felicidade do outro e fica achando que tem uma vida pior.

Fulana foi pra Paris e você não. Mas você foi pra Saquerema depois de passar um ano inteiro sonhando com dias de total descanso numa praia vazia. Fulana foi numa balada maravilhosa. Mas você ficou em casa porque queria terminar de ler aquele livro incrível. Fulana se casou e você não. Mas você acabou de dar um pé naquele gato que te amava porque percebeu que sozinha se sente melhor. Fulana está rica e você não. Mas você tem um trabalho muito mais flexível, não precisa acordar cedo no fim de semana e faz o que te dá prazer. Fulana passou um réveillon maravilhoso em Copacabana. Mas você optou por ficar em casa tranquila e não ter que enfrentar o caos no trânsito pra ir e o perrengue pra voltar. Fulana comprou um carro. Mas você juntou dinheiro. E outros inúmeros exemplos. Mas a gente não aprende. E continua, também, julgando a felicidade dos outros segundo os nossos princípios. Não é possível que tal pessoa seja mesmo feliz sendo que ela fez/tem/não fez/não tem tal coisa.

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Dia desses a TV estava ligada no programa “Em Pauta”, da Globonews. Eu estava na cozinha apenas ouvido algumas partes sem prestar muita atenção. O assunto, acho!, era um ranking de felicidade e um país do Oriente Médio estava entre os primeiros colocados. Parei quando ouvi uma das jornalistas falando que não fazia sentido as pessoas desse tal país, mulheres que usam burca, serem felizes. Fiquei pensando naquilo, em como a gente julga. É claro que eu, ocidental, supostamente moderna e antenada, viajada e blá blá blá, realmente não consigo entender como uma mulher que é obrigada a usar burca pode ser feliz (já me dá tristeza ter que usar short e camiseta nos 50 graus do Rio). Mas é a felicidade dela!!! A burca é parte da cultura na qual ela vive. E se ela está dizendo que é feliz, como assim que a jornalista questiona a veracidade disso?

Já tive minha felicidade questionada por mais de uma pessoa, por acharem que não faz sentido eu ser feliz tendo uma vida “medíocre” (salário que consideram baixo, apartamento pequeno, família longe, problemas eventuais, etc). “Você tem de querer mais, mais, mais”, como se ser feliz significasse ser acomodada. Tenho de querer? Não tenho. Mas, claro, posso querer e continuar sendo feliz com a situação atual (se melhorar, ótimo, mas a felicidade não pode depender de um suposto futuro que talvez nem chegue).

E nas redes sociais? A gente sabe que todo mundo (eu, inclusive) só compartilha as coisas bacanas e, ainda assim, a gente cisma em achar que a vida dos outros é sempre maravilhosa! Já ouvi gente dizendo que só vou à praia, só viajo, só me divirto. Mal sabem essas pessoas o quanto eu ralo pra poder sim desfrutar desses momentos – e aí fotografá-los para compartilhar. A velha história de que grama do vizinho parece sempre mais verde, mas e daí? Talvez enquanto ele cuida da grama você faz outras coisas que te satisfaçam. Talvez você prefira piso de concreto e nem goste de grama. Ou, ainda, talvez seja grama sintética (e, portanto, artificial). Tudo tem dois ou mais lados. Olhe para o seu, para dentro, é isso que realmente importa.

Para ler ouvindo:

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