Trabalho de férias no exterior: história da Francine

“Fiquei quase quatro meses na cidade de Copley, no estado de Ohio, EUA, através do programa Work Experience, que concilia as férias da faculdade com o intercâmbio. Um dos meus melhores amigos tinha feito esse tipo de intercâmbio no ano anterior e ficou agitando para fazermos todos juntos: eu, ele e uma amiga. Ficamos muito animados, mas no final, nossa amiga desistiu, eu fui por uma empresa e o meu amigo por outra. Me vi sozinha nessa empreitada, mas não desisti. Minha família ficou desesperada!!! Nunca imaginaram que teria coragem de ir sozinha para um lugar distante e trabalhando com algo que não tinha nenhuma experiência. E eu nunca tinha ido para tão longe, foi minha primeira viagem internacional.

Estava prestes a encerrar meu curso de inglês e foi muito bacana a experiência de colocar em prática o que sabia e aprender novas expressões e palavras. Mas eu morava em um hotel indicado pela empresa contratante dividindo o quarto com mais cinco estudantes (uma brasileira e quatro peruanas) que trabalhavam comigo e, muitas vezes, falávamos mais em português/ portunhol. Acho que se não fosse por esse fator, minha experiência teria sido 100% vivência da cultura americana.

Não tive problema por ser estrangeira. Na maioria das vezes, as pessoas percebiam que não éramos de lá, pelo sotaque, e sempre se mostravam interessados pela nossa cultura. E uma coisa bem diferente é a relação deles com assédio. Lembro de um episódio em que eu e um amigo estávamos sendo avaliados no trabalho e conseguimos ser a melhor dupla do dia. Nos abraçamos para comemorar e nossa gerente ficou horrorizada, me perguntou se eu queria dar queixa por assédio. HAHAHAHA 

Voltar foi muito difícil!! É inevitável não comparar com a nossa realidade e isso trazia um “desânimo”… por mais que sentisse falta da minha família, todos os momentos lá foram muito legais e não se repetiriam no Brasil. Sabia exatamente o horário que  o ônibus passaria na porta da minha casa, poderia transitar de madrugada pelo bairro sem perigo algum, às vezes éramos escoltados até o hotel pelo carro da polícia. Nunca conseguiríamos sobreviver em nosso país com o salário de uma rede de fast food, além de não sofrer preconceito por fazer esse tipo de trabalho. Fora as histórias ao longo desses meses, as festas e a convivência com os amigos que fiz lá.

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Não tenho palavras para descrever o quão enriquecedor foi meu intercâmbio. Voltei uma nova pessoa, mais segura (afinal, tive coragem de ir sozinha para um outro país, sem noção do que me aguardava), mais sociável, conheci diferentes culturas, consegui me sustentar com meu próprio trabalho (naquele momento, ainda não era algo possível na minha realidade), fiz amigos que mantenho contato até hoje, recebi amigos do intercâmbio na minha casa, viajei para outros estados para visitá-los, tive que aprender a cuidar da minha roupa, comida, limpeza do quarto (no Brasil, tinha sempre alguém responsável por isso, que não eu), a saber tomar decisões de acordo com cada situação (como lidava com público, sempre tinha que resolver problemas ou buscar oferecer melhor atendimento de acordo com a necessidade do cliente), me tornei uma pessoa mais independente e com uma visão de mundo muito maior…

Meu sonho é repetir essa experiência. Hoje, tenho vontade de permanecer por mais tempo e trabalhar na minha área de formação. Caso isso não seja possível, fazer algum tipo de curso relacionado ao meu mercado de trabalho já me deixaria feliz. Viver e conhecer a cultura é algo que agrega muito na nossa  história.”

Por Francine Stancato, publicitária, fluminense
Fotos: Arquivo Pessoal/Wikipedia

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