Flip 2015: o que rolou na Festa Literária Internacional de Paraty 

Entra ano sai ano, penso que desta vez não vai ter erro, vou me programar pra ir à Flip (Festa Literária Internacional de Paraty). Mas vou deixando pra daqui a pouco, outras coisas vão surgindo e, quando paro pra ver, já chegou o período da Flip e eu, pra variar, não me programei. 2016, quem sabe?

Já meu amigo Lenilton, planejadíssimo (Fernando, nosso amigo em comum, acha que ele deve ter um ascendente, lua ou sei lá o que em Capricórnio que justifique), foi. Logo que comentei com ele sobre essa matéria para o blog ele já me mandou algumas coisas e, depois, de lá, segue mandando outras tantas… Cobertura online, on time, full time, porque ele é desses. Adoro!

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Programação e atrações da Flip

“Quem quer ver as mesas principais da Flip precisa comprar ingressos com antecedência! Eles começaram a ser vendidos no dia 1/6 e no dia seguinte algumas mesas estavam esgotadas. Eu escolhi ver as mesas que estão sendo consideradas as melhores da Flip: a do Leonardo Padura e a dos chargistas, incluindo um do Charlie Hebdo e um do Le Monde. A outra top era a do Roberto Saviano, que cancelou.

flip-2015-paraty-autografosMas percebi que quem não tem ingresso não precisa se preocupar muito! Do lado de fora dessa tenda, que é uma estrutura bem montada e de fácil acesso, tem a Praça do Telão, onde tem um telão e mais três TVs para o acompanhamento do público. A mesa é reproduzida ao vivo e tem um espaço de 1400 pessoas sentadas! Também está disponível, gratuitamente, inclusive pra quem fica do lado de fora, headsets de tradução simultânea, sendo necessário só deixar um documento com foto. E mesmo à distância, o som é claríssimo!

Segundo as vendedoras da bilheteria da Tenda dos Autores, lugar principal, todos os ingressos foram vendidos, ficando a possibilidade de aguardar em fila de espera de última hora. Inclusive, a bilheteria tem um guichê denominado “última hora”. Mas, fora essas mesas, toda a programação é gratuita! E tudo acontece no Centro Histórico, muito perto. Mas, para mulheres, dou um conselho sobre os calçados: não rola usar salto por causa do solo irregular. =D

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Com Heloisa Starling e Lilia Schwarcz

Para garantir a compra dos livros, a Livraria da Travessa tem uma loja na Tenda dos Autores e, claro, fica cheia. Ao lado tem a Tenda dos Autógrafos, onde os autores autografam seus livros. Eu, que sou fã do Eduardo Giannetti, comprei o livro dele “A Ilusão da Alma” para ter autografado. Também peguei autógrafos de Heloisa Starling e Lilia Schwarcz, autoras de “Brasil: uma biografia”. A Lilia (no meio na foto) deu uma entrevista recente ao Mário Sérgio Conti, foi quando fiquei com vontade de comprar o livro. Nesse primeiro dia teve ainda mesa com Nigügi wa Thiong’o, africano é considerado um dos candidatos ao Nobel de Literatura. Muitas pessoas acompanharam do lado de fora.

O acesso aos eventos é facilitado porque há informativos disponíveis em vários lugares: nos hotéis, no centro de informações turísticas e nos locais dos eventos, onde há também totens com a programação.

Quanto às instalações, tem pra todos os gostos. A “Casa Folha”, montada pelo jornal Folha de São Paulo, tem debates e uma livraria. O Instituto Moreira Sales (IMS) também coloca uma casa. A Flipinha, voltada para literatura infantil, discute a produção para esse público e realiza interações com as crianças num espaço lúdico na Praça da Matriz. Há muitas opções do que ver! Tem também a Off-Flip, com vários eventos culturais, tanto de rua – quando cheguei, na Praça do Chafariz estava tendo uma peça de teatro com a Trupe “Fulô no Asfalto” – como em espaços como a Casa de Cultura, a Sede do Iphan e em outros pontos do Centro Histórico. E o Barco da Poesia, que sai com um sarau.

Flipinha e teatro na rua

Flipinha e teatro na rua

Já vim a Paraty outras vezes e, de longe, se percebe como está movimentada na Flip. Está fervendo de gente, encontrei até o jornalista Ancelmo Gois, de quem sou fã. A edição desse ano é a 13a e homenageia o escritor Mario de Andrade. Dá pra ver que a cidade se envolveu e se envolve. Andando na rua ouvi comentários tipo “a cidade está muito cheia”. Gente em tudo que é lado, mas sem clima de estresse. Às 16h os restaurantes ainda estavam cheios com gente almoçando. Eu adorei o que vi até agora! Achei mágico! Estou amando!

Chico Alencar

Chico Alencar

São muitos eventos e a escolha é difícil! E cada hora a gente descobre uma coisa nova, além de passar por vários famosos que estão na cidade conferindo o evento. Vi Rafael Cortez, do CQC, Marcelo Madureira, do Casseta e Planeta, a atriz Betty Goffman, o jornalista Zeca Camargo e o deputado Chico Alencar, que assitiu à palestra do Frei Betto. Uma dica: os vídeos de todas as palestras estão disponíveis no site da Flip.

No segundo dia, sábado, fui a uma aula show sobre Pixinguinha, na Casa IMS, assisti à palestra do Frei Betto e à mesa sobre charges, com Plantu, do Le Monde, e Riad Sattouf, ex-Charlie Hebdo. Foi excelente! O Plantu tem uma habilidade incrível! Enquanto rolava a palestra, ele falava e mexia, com a mão esquerda, num iPad que estava conectado com uma câmera, fazendo charges sobre os participantes, desenhando com um dedo num aplicativo! É tipo o que o Paulo Caruso faz no programa Roda Viva, mas de forma mais impressionante. Encerrei a noite de sábado na mesa com os cantores Arnaldo Antunes e Karina Buhr. Foi a mesa que se esgotou primeiro para a venda e até mesmoa área externa estava lotada. Karina Buhr é ótima, ela arrebentou!

Com os cantores/escritores Arnaldo Antunes e Karina Buhr

Com os cantores/escritores Arnaldo Antunes e Karina Buhr

Gostei também da Casa Off Flip das Letras, que fica na Rua da Lapa, espaço onde rolam mesas de debates, recitais e livros do selo Off Flip. O público do local é de uma literatura paralela, com autores que escrevem livros e bancam a publicação ou autores de blogs. Outro local desse circuito é o Centro Cultural Sesc de Paraty, onde o dia começou com a oficina de criação literária “A arte da crônica”, com técnicas de escrita e promoção de leitura crítica.

flip-2015-teatroDomingo, o último dia, começou com a Companhia de Teatro de Mamulengos, levando as pessoas pelas ruas do Centro Histórico logo pela manhã ao som das músicas “Asa Branca” e “Anunciação”.  Enquanto isso, na Tenda dos Autores, acontecia a mesa do Hermínio de Carvalho e José Ramos Tinhorão, que gerou muita expectativa porque apareceram na imprensa opiniões dos dois com versões diferentes sobre a música brasileira contemporânea.”

* Por Lenilton Araújo, direto de Paraty
Fotos: Arquivo Pessoal

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