Roteiro de uma semana em Bonito, no Mato Grosso do Sul

Quando fiz o post com dicas de Bonito, no Mato Grosso do Sul, conversei com duas primas e uma amiga que já foram. Todas foram unânimes em dizer que há muita coisa! E que seria preciso pelo menos um mês por lá para conseguir aproveitar bem. Mas, na “vida real”, é raro alguém que tenha a possibilidade de fazer isso. Portanto o ideal é tentar otimizar, escolher os passeios que mais te agradam e fazer o máximo possível nos dias de viagem.

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Esse roteiro de Bonito da minha prima Daniela Rocha é para uma semana. Ela foi em agosto de 2015 com o marido, Cadu, e disse que foi uma viagem maravilhosa, em um lugar em que a comunidade aprendeu a respeitar a beleza natural e fazer dela sua principal fonte de renda, com turismo extremamente organizado e passeios sem superlotação. “Todas as agências têm sites e tudo pode ser feito por telefone ou email. Nós compramos na agência Águas Turismo. Enviamos um email explicando que queríamos fazer o maior número de passeios por dia sem comprometer, obviamente, a possibilidade de aproveitar o que cada lugar tinha a nos oferecer de ‘atração extra’, e rapidamente recebemos resposta e conseguimos montar nossa viagem. A agência foi super competente e profissional e nos passou todas as orientações”, conta.

Apesar dos passeios serem fechados com agências, já que, por determinação da prefeitura da cidade não podem ser feitos de outra forma, a viagem em si pode ser planejada por conta própria. Foi o que Daniela e Cadu fizeram. “Nós mesmos organizamos tudo, compramos as passagens, reservamos o hotel e os passeios por nossa conta e para mim foi uma excelente escolha. Preferimos assim. Usamos nossos pontos para comprar as passagens, negociamos diretamente com hotéis e pousadas e montamos o roteiro de acordo com o nosso gosto”, diz.

Você pode ler mais sobre a cidade nesse post:
Bonito: melhores passeios e informações turísticas

O que fazer em Bonito

Gruta do Lago Azul: um dos locais mais conhecidos e visitados de Bonito

Dani explica que todos os passeios em Bonito não são na cidade, mas nos municípios vizinhos. “Escolher o que fazer é muito difícil porque a lista de opções é imensa. Há os que envolvem flutuações (rios e aquários); os parques de cachoeiras, contemplação e descanso (balneários, cavalgadas, grutas, buraco das araras); as aventuras (rappel, boia cross, mergulho, arborismo, quadriciclo, etc); e o projeto Jibóia (atração diferente dessas outras e é feita na cidade). Uma boa dica é alternar dias com passeios mais tranquilos com trilhas ou atividades de aventura. Procuramos também usar o critério proximidade dos atrativos para que pudéssemos aproveitar o maior número possível de passeios em um mesmo dia”, diz.

Roteiro para conhecer Bonito em 7 dias

Dia 1 – Chegada a Campo Grande às 15 horas

“Pegamos o carro e seguimos para Bonito, são 2 horas aproximadamente. Chegamos lá cedo, no momento do pôr do sol. Demos uma pequena volta de carro pela cidade, depois jantamos no restaurante do hotel e fomos dormir cedo”.

Dia 2 – Grutas do Lago Azul e São Miguel e flutuação no Aquário Natural

Manhã: “O passeio das grutas é a apenas para contemplação. A do Lago Azul é o carro chefe de Bonito e, de acordo com a época do ano, há um horário mais interessante para ir, porque a beleza do lago, que é de um azul estarrecedor de tão lindo, tem relação com a incidência dos raios solares e seu reflexo pelas águas. O lago não é aberto para entrada, pois além de haver crustáceos microscópicos que estão sob preservação ambiental, há no seu fundo um fóssil. Já a gruta de São Miguel é cheia de galerias, com formações rochosas de vários tipos, muitos com longos anos de formação”.

Tarde: “O Aquário Natural foi nossa primeira flutuação e, entre as que fizemos depois, foi a de percurso mais curto e onde vimos cardumes menores e menos variedade de peixes. Mas ficamos encantados logo ao chegar na nascente e ver águas tão cristalinas e límpidas. A visibilidade é excelente e saímos encantados e com gostinho de quero mais. Tanto que fizemos mais quatro depois dessa”.

Dia 3 – Conjunto de cachoeiras Boca da Onça

“O passeio leva o dia inteiro e é constituído por uma trilha longa com cerca de 800 degraus construídos para facilitar o tráfego dos turistas. Há duas formas de fazer a trilha – usando os degraus para descer ou subir. Fizemos a rota que descia pelos degraus e, segundo nosso guia, era a mais tranquila. Nesse percurso há inúmeras cachoeiras, cada uma mais linda que a outra. Sete são liberadas para banho. Os grupos saem da sede da fazenda com intervalo de 30 minutos entre cada um, para evitar acúmulo de muita gente de uma vez na mesma cachoeira. Após essa trilha, retornamos à sede, onde é servido um almoço maravilhoso, com opções de carne variadas e doces caseiros. Após o almoço, havia várias opções para relaxamento, como o redário, outro item presente em praticamente todos os locais, com cerca de 20 redes para o descanso e piscinas de águas naturais, com peixes que compartilhavam o mesmo ambiente de mergulho que nós. Ficamos até quase a hora do fechamento”.

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Dia 4 – Flutuação no Rio Sucuri, Praia da Figueira e Projeto Jibóia

Manhã: “A flutuação no Rio Sucuri é feita além da nascente, há uma descida pelo rio. As águas são completamente límpidas e a correnteza é leve. Conseguimos ver uma grande variedade de peixes, mas não tivemos muita sorte em tirar fotos dentro da água, pois não conseguimos nos adaptar ao uso do celular com capa protetora. Depois ficamos melhor nisso. Durante todo o trajeto, o grupo é seguido por um barco, onde vão o guia e o barqueiro observando os mergulhadores de cima para detectar problemas. Há um armário com chave na sede onde podemos deixar nossos pertences. Ao final, foi também servido um almoço, no esquema de self service e fogão a lenha. O almoço estava gostoso, mas entre os locais em que havia almoço incluído, esse foi o que menos nos chamou atenção. Já a flutuação, eu recomendo muito”.

Tarde: “A Praia da Figueira é um balneário localizado próximo à fazenda onde é feita a flutuação no Rio Sucuri. A praia é a beira de um rio, onde peixes nadam livremente próximos aos turistas. Quando fomos estava em reforma e alguns atrativos ainda estavam sendo construídos. O local como é um clube, com as piscinas substituídas pelo rio. Para nós, foi uma opção para relaxar, mas sem um diferencial que nos fizesse querer voltar. Talvez numa próxima ida, eu substituísse o passeio por algum outro balneário. O grande atrativo do local é o redário, que é localizado abaixo de uma figueira gigante”.

Noite: “O Projeto Jibóia é particular e visa a preservação das cobras. Funciona dentro da cidade de Bonito. É realizada uma apresentação pelo mentor do projeto, que é um showman, mas tem um humor bem ácido e cheio de sátiras. Então, se você não é a favor desse tipo de humor, ou se ofende por qualquer coisa, melhor nem ir, mas nós achamos que foi muito bacana, tanto que a apresentação foi longa, com quase 3 horas de duração e nem sentimos. Ao final, tira-se a tradicional foto com a jibóia nos ombros. Depois fomos ao centro da cidade curtir um barzinho, já que o dia havia sido mais tranquilo. Escolhemos o mais ‘badalado’: o Taboa, um lugar jovem, com paredes assinadas e com recados dos visitantes, música ao vivo e excelente atendimento. Mas uma cerveja comum custou 15 reais. Achamos muito absurdo e ficamos nessa única cerveja e um tira gosto. Depois fomos passear pela cidade e na praça central”.

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Dia 5 – Estância Mimosa e Nascente Azul

Manhã: ” A Estância Mimosa também é um passeio de trilhas e cachoeiras. Logo na chegada há um cafezinho. Em seguida é feita uma breve instrução e começamos a trilha de caminhada. Sou suspeita para falar, porque sou simplesmente apaixonada por cachoeiras. Diferente do passeio na Boca da Onça, aqui todas as cachoeiras são abertas para banho e as águas são um pouco menos geladas. Nós entramos em todas e adoramos. Ao retornarmos, o almoço já estava servido. Simplesmente delicioso. Mais uma vez, comida no fogão a lenha, da melhor qualidade”.

Tarde: “Da Estância Mimosa seguimos direto para mais uma flutuação, na Nascente Azul. Dessa vez, o tempo foi muito contado, chegamos bem em cima da hora, mas vimos que era um balneário muito bacana, que talvez merecesse uma ida com mais calma para aproveitar o dia. A flutuação é bem rápida mesmo, mas o lugar é maravilhoso. Valeu pela contemplação”.

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Dia 6 – Fazenda Rio do Peixe

“Esse passeio escolhemos em cima da hora. Nesse dia, tínhamos programado fazer o rappel no abismo Anhumas com flutuação. Mas, no dia anterior, ao realizar o treinamento, fiquei com muito medo de não conseguir subir os 76 metros de rappel do abismo para voltar e preferi desistir. Mas pretendo voltar e fazê-lo numa próxima oportunidade. E o passeio de última hora foi perfeito. Amamos tudo. Fizemos trilhas mais curtas que nos demais passeios de cachoeiras e encontramos cachoeiras muito lindas, com piscinas deliciosas. No meio do caminho, durante o passeio da manhã, fizemos uma tiroleza. Sem dúvida nessa fazenda que nos foi servido o mais variado e saboroso almoço. Para quem gosta de doces, eram 20 tipos diferentes de doces caseiros. Além disso, foi o local em que encontramos maior variedade de animais, anta, macacos pregos, capivaras, araras e o dono é uma história à parte, batemos uma ‘prosa’ muito boa. O local estava em reforma e iria fechar um tempo logo após nossa ida, não sei qual era a previsão para reabertura”.

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Dia 7 – Buraco das Araras, Flutuação na Lagoa Misteriosa e Rio da Prata

Manhã: “O Buraco das Araras é uma dolina que se tornou ponto de criadouro das araras vermelhas, que fazem seus ninhos nas paredes da dolina. Há dois horários melhores para a observação: no início da manhã ou próximo ao pôr do sol, quando é possível ver um balé de voos das araras. Eu saí de lá encantada. Depois fomos à Lagoa Misteriosa, assim chamada porque até hoje não se sabe sua profundidade exata. É de uma beleza extraordinária, com uma coloração verde azulada quando vista de cima que é o reflexo dos raios solares quando incidem na água. Agora há poucas formas de vida na lagoa e, pela limpidez da água, consegue-se enxergar grandes profundidades mesmo com mergulho com snorkel. É possível também fazer mergulho com cilindro, mas a visão não será muito diferente da obtida na flutuação. Talvez valha a pena para quem gosta de mergulhar, mas, para nós, iniciantes, não acho que compense a diferença de preço”.

Tarde: “A flutuação no Rio Prata é a mais disputada de Bonito e também a mais longa. Nela foi onde vimos a maior variedade de espécies de peixes, com grandes cardumes. Vimos muito dourados, inclusive. Vale muito a pena. Há pontos em que paramos e podemos mergulhar um pouco e no final, a flutuação é feita na parte com águas mais turvas, frias e profundas, onde podemos nadar com maior liberdade. O almoço é também saboroso e há, na sede, uma grande área para relaxar, com redes, cadeiras e animais, em especial pássaros”.

Dicas essenciais

Antes de planejar sua viagem para Bonito, esteja atento a alguns detalhes:

– “É uma viagem para quem gosta de “mato”, um local para quem curte cachoeiras, rio, peixes e outros bichos, silêncio, acordar cedo, andar muito, comer comida boa, mas simples”.

– “Não se preocupe em contar calorias, porque é uma comida “gorda” e os doces servidos em cada refeição são de ‘comer rezando’ como se fala aqui em Minas (aliás, a comida lá lembra muito a comida mineira)”.

– “Apesar de ser um descanso para a mente, o corpo fica muito cansado com as várias trilhas e a rotina começa muito cedo, por volta das 6/7 horas”.

– “Protetor solar e repelente serão seus melhores amigos durante a viagem, em especial o segundo. Quanto às roupas, opte por roupas confortáveis, leve tênis e se tiver, botas ou sapatilhas de Neoprene – senão, fique tranquilo, nos locais de passeios elas são disponibilizadas para locação e algumas flutuações as oferecem como parte da roupa”.

– “Leve uma máquina fotográfica subaquática para as fotos nas flutuações e mergulhos”.

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