Visita guiada gratuita ao Mercado Central de Belo Horizonte

Cheiros, cores, sabores, tradições… Os mercados municipais são lugares que dizem muito sobre uma cidade. Mas acho que quando a gente mora em uma cidade, tende a achar tudo tão comum e a ver até mesmo os locais mais interessantes como parte do dia a dia, sem o viés turístico ou cultural.

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mercado-central-bh-visita-guiadaDigo isso porque morei muito tempo em Belo Horizonte e o Mercado Central, pra mim, era só mais um lugar, onde eu eventualmente ia quando precisava comprar algo que não encontrava em outros comércios. Minha mãe sempre costumava brincar: “Pense em uma coisa. Qualquer coisa. Lá no Mercado tem”. Mercado. Era assim que eu o chamava, só pelo primeiro nome.

Lembro uma vez, esperando o elevador, uma vizinha, que era do Sul do país, comentou que estava indo ao mercado. “Mas o Mercado está aberto a essa hora?”, perguntei. “Não, vou ao Sendas (supermercado), mas é que a gente chama só de mercado”. Achei estranho. Hoje, morando no Rio, também chamo o supermercado só de mercado. O de BH, de quem já não sou tão íntima, chamo de Mercado Central. E passei a vê-lo com outros olhos.

Tanto é que recentemente descobri que existe uma visita guiada ao Mercado CentralÉ gratuita, basta agendar pelo site, chegar na hora marcada e ir até o guichê turístico que fica bem na porta de entrada do meio da Augusto de Lima.

Minha guia no passeio foi minha xará, Mariana, e foi ótimo porque ela sabe tudo da história do lugar, curiosidades, conhece todas as pessoas. Sem falar que é uma querida e dá show de simpatia. E eu saí de lá cheinha de fome informações e fotos para compartilhar neste post. Que ficou meio grandinho, mas é que é tudo tãooo irresistível, você vai ver! Mas vamos começar do começo…

História do Mercado Central

Inaugurado no dia 7 de setembro de 1929, o Mercado (pronto, a intimidade já voltou) pertenceu à Prefeitura Municipal até 1964, quando foi a leilão. Os lojistas da época se reuniram e compraram. Hoje há um conselho formado por 35 conselheiros, de onde saem três diretores – financeiro, fiscal e diretor presidente.

O funcionamento do Mercado Central é diário (7h às 18h), inclusive aos domingos e feriados (7h às 13h). Em toda a história o local só fechou três vezes: uma durante a Didatura, uma em 1974 e outra na década de 80 quando o Papa João Paulo II esteve em BH.

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Se liga nesses números!

São 24 mil metros quadrados, três andares, 435 lojas – sendo 46 delas só de queijo, paixão dos mineiros. <3 São vendidas de 7 a 12 toneladas de queijo por dia! E há nada menos do que nove entradas, por cinco ruas diferentes: Augusto de Lima, Amazonas, Goitacazes, Santa Catarina, Curitiba e Padre Belchior. Não é à toa que eu sempre me perco na hora de sair. =P De segunda a sexta passam por lá cerca de 30 mil pessoas por dia. Aos fins de semana esse número aumenta e fica entre 50 a 80 mil pessoas/dia. Ganhou o prêmio de terceiro melhor mercado do mundo!  E, recentemente, foi cenário de um clipe do Jota Quest que tá lá no fim do post.

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O que fazer no Mercado em BH

A maioria dos estabelecimentos é de comida, numa vasta lista que vai dos regionais aos internacionais. Há lojas tipo mercearias (como já não se vê mais em cidades grandes), bares e restaurantes. Produtos caseiros e industrializados. Dos mineiríssimos doce de leite e pão de queijo, passando pela comida árabe ou japonesa.

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Tem também palmito in natura, açougues especializados em feijoada, cachaças de todos os tipos (tem uma garrafa que custa R$ 1.500,00!), temperos a granel, verduras e legumes, frutas frescas ou cristalizadas, cervejas artesanais, doces e pães caseiros, café moído na hora, bolo fresquinho, balas coloridas e muitas, mas muitas outras coisas. A cada corredor um novo cheiro, novas cores, tudo tão lindo, uma sensação tão boa…

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Ah, e tem o tradicional fígado com jiló! Sério, desfaça já essa cara feia que eu sei que você fez e experimente, vai por mim! É servido nos bares, acompanhando uma cerveja gelada. E a tradição é beber em pé – os corredores ficam lotados.

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A variedade nas comidas vale também para outros itens. O Mercado é um mundo de cultura, não só mineira, mas brasileira (há coisas de várias partes do Brasil) e internacionais.

Lojas de produtos católicos e de umbanda, ervas para chás, ervas para banhos, cestos, aquários, acessórios, calçados, suplementos, CDs antigos, muitas flores… Coisas que a gente nem imagina que vai ter alguém querendo comprar – e nem que tem alguém vendendo.

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Há, ainda, os animais – assunto que gera polêmica. Muitas ONGs fazem manifestações contrárias à prática de mantê-los em cativeiro para venda. Mas o Mercado garante que é tudo legalizado, os animais são alimentados, vacinados, fiscalizados pelo Ibama e a maioria das lojas tem seus próprios veterinários. Não é permitido fotografá-los.

Outras informações

E quem pensa, como eu pensava, que o Mercado se “resumia” às lojas, vai se surpreender, porque ainda tem muito mais! Coisas que eu nunca saberia se não tivesse feito essa visita guiada.

Uma que achei superinteressante foi a “cozinha-escola”, com aulas gratuitas (agendadas com pelo menos três semanas de antecedência pelo site). Por fora, tem estrutura é toda de bambu, uma lindeza – projeto de Marcelo Rozembaum, adoro – contrastando com a modernidade que tem por dentro, pois é toda equipada.

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No último piso, o estacionamento (aberto não só para quem vai ao mercado) comporta 420 carros. Lá fica também o auditório (80 lugares), que pode receber eventos de fora. E, ainda, uma capela de Nossa Senhora de Fátima onde há missa com coral todos os domingos às 7h.

Acho legal ressaltar também que o local tem acessibilidade, fraldários, e tem a própria segurança do Mercado, além de uma parceria com a Polícia Militar, câmeras dentro e ao redor e brigada de incêndio.

Mas voltando às lojas… tudo tem o seu setor específico. O dos queijos, do artesanato, da peixaria… E atenção! Não se acha uma loja pelo número, embora elas sejam numeradas, mas sim pelo nome ou ‘apelido’: Seu Perci do alho, Rei do Berrante, Mané Doido… No Mercado Central de Belo Horizonte o que você não acha pronto, acha ingredientes/material para fazer. Minha mãe tinha razão quando dizia que qualquer coisa que a gente imaginar vai encontrar lá!

Serviço:

Mercado Central de Belo Horizonte
Endereço: Av. Augusto de Lima, 744 – Centro – Belo Horizonte/MG
Telefone: (31) 3277-4691
Mais informações no site oficial
Redes sociais: Facebook e Instragram
Use as hashtags #vempromercado#gostosoévivernomercado

Para ler ouvindo:

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