Não dá tempo pra tudo (e tudo bem)

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“Dá pra fazer tudo. Tudo que falta.” Esse era o trecho de um poema do Oswaldo Montenegro que achei num blog dele bem na época que vim morar no Rio de Janeiro e lá se vai quase uma década… Para mim era o máximo estar vivendo numa cidade onde tudo acontecia. Todo fim de semana tinha pelo menos um grande show, um grande evento. Sempre uma exposição maravilhosa ou mais de uma simultânea, até. Festival de Cinema, de Teatro, dezenas de peças incríveis em cartaz, temporadas de musicais, lançamentos de livros. Um dos carnavais mais famosos do país, milhares de blocos, a virada de ano mais famosa do mundo. Fora a praia, sempre ela. Não dá para listar tudo. E, muito menos, para fazer tudo.

Mas, durante muito tempo, eu tentei. Juro que tentei. Já acordei antes das 6h pra pegar bloco de manhãzinha em Santa Tereza, emendei com outro em Ipanema, fechei a noite na Lapa pra recomeçar a maratona carnavalesca na manhã seguinte. Já enfrentei transporte lotado, trânsito engarrafado e trajetos longos a pé pra ver os fogos de Copacabana na noite de Réveillon. Já fiquei horas na fila para ver no CCBB uma exposição que eu inclusive já tinha visto em Paris. Já morri de ansiedade e de culpa por não conseguir ver todos os filmes do Festival de Cinema, ou todos os filmes em cartaz, ou aquele filme específico que todo mundo viu, ou ir àquele lugar que todo mundo comentou, ou ao show que certamente estava bombando, ou à festa que é a nova tendência, ou ao bloco que estava fazendo ensaios abertos, ou ao outro cujo horário batia, mas era só correr que dava. Tudo isso intercalado com trabalho, que sempre foi o que ocupou e ocupa mais tempo. Até que eu percebi que não dava. Ou que eu não era obrigada. O que era para me fazer bem, estava quase fazendo mal. Parei.

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Já passei a noite de Réveillon dormindo. Já passei o Carnaval todinho em casa. Perdi exposições que pareciam muito boas. Recusei convite para algumas pré-estreias de filme. Não consegui ir ao show de Caetano e Gil juntos. Nunca fui ao Rock in Rio (embora em toda edição eu compre ingresso – depois revenda). Nem li todos os livros que gostaria. Desisto de cursos online gratuitos nos quais me matriculo. Declino de convites para festas. Troco domingos de sol na praia pelo conforto da minha cama e passo o dia de pijama. E, principalmente, parei de me culpar e/ou sofrer por causa disso. Não dá. E tudo bem.

Uma vez, em um evento em que eu estava, foi sugerido que cada participante fizesse uma lista de coisas/atividades que faz por obrigação, outra do que faz por prazer, e outra do que precisaria fazer mais, mas não faz. Praticamente todo mundo colocou “me divertir mais”, “sair”, “ver mais filmes”, “viajar”, na listinha de obrigações. De coisas que pre-ci-sam fazer! Daí surgiu um questionamento e começamos um debate muito saudável sobre como é louco isso de incluir o lazer com hora na agenda e não como algo que naturalmente acontece… Porque quando a gente é engolida pelas demandas (eu quase sempre sou), o lazer é o primeiro que sobra, ainda mais se o cansaço entra na disputa.

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E fato é que – tirando o que é realmente obrigatório – a gente tem que fazer escolhas. Listar prioridades. Preferencialmente com o critério do que nos faz bem. E isso pode significar, às vezes, preferir ficar em casa, ou viajar e ficar no hotel e dormir, descansar. Respirar. Sempre vai ficar faltando alguma coisa e isso não diminui ninguém em nada. Vai faltar viajar um pouco mais. E, viajando, vai faltar aquele museu que todo mundo foi. Ou, indo ao museu, vai faltar aquela obra. Ou, vendo aquela obra, vai faltar tempo para o sorvete no fim da tarde. Ou uma horinha a mais de sono que, no somatório semanal ou mensal, pode pesar. É impossível fazer tudo, ver tudo.

Nas viagens, mas, principalmente, na vida, fui parando de sofrer por não ter dado tempo de tudo ou por não ter dado conta de tudo. Nem listinha de ano novo faço mais. Tenho projetos e planos, claro. E vou, dia a dia, pesando melhor o que vale ou não a pena. Simples assim. Minha meta segue sendo desacelerar – mas até esse processo precisa ser feito devagar. Porque a vida tem que ser, acima de tudo, do meu ou do seu jeito. No nosso devido tempo.

Para ler ouvindo:

* Imagens: Pixabay

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