Quem foi Anésia Pinheiro, mulher pioneira na história da aviação no Brasil

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Antes de falar sobre a pioneira na aviação no Brasil, uma pergunta: você já viajou em um avião pilotado por uma mulher? Quantas vezes? Eu nunca viajei. Teria adorado, mas sei que não é muito comum. A profissão ainda é muito ligada ao universo masculino – aquela velha história que meninos são, desde cedo, estimulados a determinadas coisas que meninas não são, somada ao próprio preconceito existente no mercado de trabalho.

De acordo com dados de 2018 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o número de mulheres pilotos no Brasil era 1.465 enquanto o de homens era 46.556. Apesar da diferença ainda ser enorme, havia tido um aumento de 64% na quantidade de mulheres com licença para voar como piloto comercial de avião de 2015 a 2018 – como já tem dois anos (não achei dados mais atuais), pode ser que tenha aumentado. O que ainda é muito pouco em relação aos homens.

Imagine então como era esse meio há mais ou menos 100 anos, mais precisamente em 1922, uma época em que mulheres exerciam apenas papéis de submissão…

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Pioneira da aviação no Brasil

Foi quando Anésia Pinheiro Machado, que tinha apenas 18 anos, se tornou a primeira aviadora brasileira a realizar um voo.

Outra aviadora, Teresa de Marzo, também realizou um voo no mesmo dia, ambas no Aeroclube do Brasil, dando início a uma trajetória de mulheres na aviação que, até então, não existia. Porém, por alguma razão, quando foram receber os brevês o de Teresa foi o número 76 e o de Anésia o 77. Portanto, não foi o primeiro.

Mas é dela o feito de ter sido a primeira mulher a realizar um voo interestadual, também em 1922, de São Paulo ao Rio de Janeiro, onde foi recebida por autoridades. Na ocasião, ela foi homenageada por Santos Dumont com uma carta e uma medalha de ouro que era uma réplica da medalha de São Bento que ele havia recebido da Princesa Isabel. A partir de então, foi guardada como um amuleto e acompanhou Anésia até o fim da vida.

Uma curiosidade é que este voo SP-Rio, que atualmente não leva mais que 50 minutos, na época levou quatro dias! Sim, isso mesmo. Ela voava 1h30 por dia e ia parando para reabastecer e fazer as manutenções necessárias.

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Breve história de Anésia

Nascida no dia 5 de junho de 1904 na cidade de Itapetininga, no interior do estado de São Paulo, Anésia se mudou para a capital aos 17 anos para aprender a pilotar.

Ao longo de sua carreira ela fez, ainda, a primeira travessia dos Andes (de Santiago do Chile a Mendoza na Argentina). Foi a primeira mulher paraquedista do mundo a saltar de um helicóptero. A primeira brasileira a realizar um voo acrobático. A primeira mulher a realizar um voo com passageiros. E a primeira aviadora a chegar sozinha ao extremo sul da América do Sul. (Informações da Wikipédia)

Ficou conhecida no mundo todo não só pelo pioneirismo na aviação – área na qual ela nunca deixou de se atualizar e especializar – mas também por seu engajamento em lutas feministas e por ter divulgado o nome de Santos Dumont (falecido em 1932) por todo o mundo. Em 1952 foi proclamada Decana Mundial da Aviação Feminina pela Federação Aeronáutica Internacional (FAI).

Falecida em 1999 no Rio de Janeiro, foi cremada e teve a urna com suas cinzas levada para o acervo do Museu do Cabangu, localizado na cidade de Santos Dumont, em Minas Gerais. E no Museu Casa de Santos Dumont, em Petrópólis (RJ), há alguns painéis contando parte de sua história.

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Painel no Museu Santos Dumont

Foi quando estive lá, no fim de 2019, que li sobre ela. Soube que foi uma mulher pioneira da aviação no Brasil. Sinceramente não  me lembro se, antes, já tinha ouvido falar. Mas sei que desde então guardei a ideia de escrever, pois achei que tinha tudo a ver com o que tanto falo aqui sobre viagens e empoderamento.

E, principalmente, porque ela, como tantas outras em diferentes áreas, é mais um exemplo de como as mulheres tiveram suas histórias, mesmo incríveis, apagadas. Não tiveram a divulgação merecida, quando, na verdade, deviam ser estudadas nas escolas, isso sim!

“O meu desejo de voar talvez seja fruto do meu anseio, sempre cada vez mais intenso, de me elevar, de sair da banalidade do viver comum. E o incontido ímpeto de minha alma, que me impulsiona e me leva a procurar as emoções mais fortes do voo. A vida corriqueira não me satisfaz; ando sempre em busca de alguma coisa nova. E essa faceta de minha personalidade que dirão inconstante, que fez com que eu me dedicasse à aviação”.
(Anésia Pinheiro Machado)

 

Foto principal: Public Domain / Wikimedia Commons – Link

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