Doces Histórias – um tour pelas confeitarias do centro do Rio

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Que eu adoro doces não é novidade. Tem essa informação até ali na lateral no blog, no quadrinho do “quem sou eu”, porque, por alguma razão, julgo que isso seja relevante. Até venho tentando reduzir o consumo de açúcar… Mas, parafraseando uma frase de Oscar Wilde: eu resisto a tudo, menos às tentações.

Sendo assim, amei quando fui convidada para conhecer o novo tour do Sou+Carioca: o Doces Histórias, que em mais ou menos 3h de passeio passa por quatro confeitarias tradicionais do centro do Rio de Janeiro: Colombo, Manon, Casa Cavé e Itajaí.

Mas não é só um passeio gastronômico. Tem toda uma parte histórica bem legal, contextualizando sobre a importância do açúcar para o desenvolvimento do Brasil, passando pelas primeiras utilizações, a expansão do uso, até a formação da identidade do doce nacional, além do papel social dos doces e das confeitarias e muitas curiosidades.

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Tour Doces Histórias

A guia e idealizadora desse tour é a historiadora Raquel Oliveira, que vai fazendo explicações em determinados pontos do roteiro. No dia em que fui, o roteiro foi um pouco diferente, pois havia uma equipe de TV acompanhando e algumas coisas precisaram ser feitas em outra ordem para facilitar a gravação. Mas, geralmente, funciona assim:

Na Cinelândia, local do encontro, é onde o grupo se reúne e recebe as primeiras orientações. Na Praça XV é onde o tour realmente começa, com explicações sobre a origem da confeitaria portuguesa – na região ainda existem algumas construções da época do Brasil Colônia. No Beco dos Barbeiros algumas ruas ainda mantêm os aspectos coloniais e contam um pouco sobre os costumes daquele período. E na Rua do Ouvidor com Rua da Quitanda são explicadas as influências africanas e indígenas na confeitaria portuguesa, formando a identidade dos doces brasileiros.

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A guia Raquel, Olívia (Garimpando por aí), Marianne (Despachadas), eu e a equipe da Rede Record

Entre tantas coisas, achei interessante saber que, no passado, o açúcar era um item supervalioso e que um quilo chegava a custar o equivalente a uns 200 reais! Doces eram produtos de elite!

A parada nas confeitarias chega no momento exato em que você já está louca por um docinho! Em cada uma delas, novas curiosidades e histórias sobre os produtos e o local. Eu, que adoro o Centro e adoro um passeio histórico, achei ótimo ter todo esse contexto enquanto ia consumindo tantas tentações. Com o perdão do trocadilho, mas pense num passeio delicioso!

Confeitaria Colombo

Fundada em 1894, é uma das mais tradicionais e mais conhecidas. O cardápio, com influências francesas e portuguesas, tem como destaque o mil folhas de creme e o pastel de nata. A Colombo foi um dos primeiros lugares a ter energia elétrica e, por isso, foi uma das pioneiras em servir bebidas geladas! A garrafinha de Coca-Cola retrô é vendida hoje como uma referência à época. Isso sem falar na beleza da construção, fico encantada cada vez que entro lá!

Na Colombo ainda tivemos o prazer de conhecer e conversar com o Sr. Orlando, funcionário mais antigo da casa, que trabalha lá há 66 anos e conta com orgulho sobre as celebridades que já foram atendidas por ele ao longo desse tempo, como os ex-presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubitscheck e até a rainha da Inglaterra! Ele também foi um dos condutores da tocha olímpica nos jogos do Rio em 2016.

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Mil folhas ou pastel de nata? Por que não os dois?

Casa Cavé

É a mais antiga das quatro, fundada em 1860, com influências portuguesas. Foi um dos primeiros lugares a servir sorvete e promoveu uma mudança social. É que, na época, as mulheres não frequentavam as ruas… Quando o sorvete começou a ser vendido, tinha hora certa (porque não tinha como congelar), então as mulheres iam comprar! Não é demais? O carro-chefe é um sorvete de creme com chantilly e fio de ovos chamado Dina Teresa em homenagem a uma atriz e fadista. É mais bonito que gostoso, mas vale experimentar!

Outra curiosidade da Cavé é que algumas mesas possuem plaquinhas com o nome de frequentadores ilustres do passado, como Chiquinha Gonzaga, Carlos Drummond de Andrade, Olavo Bilac, Tarsila do Amaral, entre outros.

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Sorvete Diva Teresa

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Plaquinha de Carlos Drummond de Andrade (no detalhe) em uma das mesas

Confeitaria Manon

É a mais recente, fundada em 1942, com influências portuguesas e espanholas. O salão é uma réplica do navio Serpa Pinto, que fazia a rota Rio-Lisboa nos anos 40. E o item mais famoso de lá é o Madrileño, um pãozinho doce com creme e uma gotinha de goiabada. Sou suspeita porque amo pão doce!

Lá a gente fica sabendo também sobre a origem do brigadeiro, que surgiu na mesma época da fundação da Manon. Um grupo de senhoras estava fazendo campanha política de um candidato que era brigadeiro e, para arrecadar fundos, começaram a fazer e vender esse doce.

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1kg de madrileño, por favor

Itajaí

Foi fundada em 1932 por alemães, mas a tradição não se manteve. Tem um cardápio vasto de doces, como cupcakes, tortas, mas nenhum deles é característico. No nosso tour não chegamos a visitar.

Quanto custa?

Os preços dos doces não estão incluídos no tour e são pagos separadamente – você pode ou não degustar. Eu acho que tem que pelo menos provar cada um dos tradicionais, porque isso faz diferença no passeio. Tá, e porque é bom! Mas atenção: os preços são altos! Na Colombo cada um custa em torno de 10 reais, na Cavé o sorvete custa um pouco mais de 20 reais (valores de abril/2018).

Então, para aguentar degustar tudo, minha dica é dividir com alguém (dois doces para três pessoas, por exemplo). Assim não pesa no bolso e nem no estômago de ninguém!

Veja mais informações sobre o tour, próximas datas e outros passeios pelo Rio no Facebook do Sou+Carioca e no site www.soumaiscarioca.com.br

Para ler ouvindo:

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