Vida Nova, Vila Velha | Ano 1

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Tem um pouco mais de espaço e de vento nas minhas medianeras. Vejo o céu e vejo o mar. Vejo, ainda, perspectivas de vida – são elas que me mantém de pé em tempos de realidade dura. Da porta para dentro é uma rede e um sofá e uma cama e não muito mais. E um computador. Onde eu escrevo para sobreviver (muito mais no sentido psicológico que no financeiro). Escrevo para não matar nem morrer, é o título de um texto recente da Eliane Brum que salvei para ler quando der. Tenho mais de 600 links salvos, mas e daí? Um dia eu leio. É que o tempo passa voando e eu continuo amando frases clichês. Eu, que agora até lancei um livro e meti a alcunha de escritora lá nas “bios” todas de todas as redes sociais, mas sei lá. Em tese eu não deveria mais gostar de frases clichês. E publicamente dizer que nunca li Paulo Coelho e acho Romero Britto cafona, porque pega bem. Mas não sou essa pessoa e não ligo que pegue mal. Nem era sobre isso o texto, embora meio que esteja sendo e no fim das contas é.

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Mas vamos voltar a outubro de 2018 porque eu gosto de começar do começo. Na verdade já era quase fim daquele ano em que eu resolvi que não queria mais morar na cidade maravilhosa que eu tanto amava e que, depois de um monte de coisas e acontecimentos, mudei de cidade, de estado, de estilo de vida. Faz um ano! E não posso deixar de dizer que voou.

Esse 2019 foi muito diferente do que eu achava que poderia ser. Não sou de criar expectativas nem de ter metas, mas esperança a gente não vive sem, né. Tá, eu imaginei e idealizei, sim, muitas coisas. Tentei. Mas 2019 foi e está sendo, mês a mês, um teste para minha paciência. Aqui estou. Inspira, respira, não pira. Eu lancei até um livro! É bom, também, deixar que a vida tome alguns caminhos e nos surpreenda. É bom me ver dando passos que não achei que daria. Mas, de novo, o texto nem é sobre isso. Ou talvez agora já seja.

Eu só queria mesmo era deixar registrado esse primeiro ano e tudo isso faz parte. E queria escrever de uma forma mais prática, talvez até uma lista de coisas que aconteceram comigo nesse período, mas me perco nos pensamentos. Mariana Viaja, o nome vem disso também. Conheci gente, conheci projetos, conheci cultura, história, comidas, saí pouco (eu queria mais), comecei projetos, senti medo por morar em um apartamento maior do que sempre morei, senti alegria por morar num apartamento maior do que sempre morei. Recebi visitas. Senti alguns afastamentos. Ou provoquei? Aprendi a limpar piso branco e aprendi que de Vitória vem um pó preto.

Ah, e respondi mil vezes sobre a decisão da mudança – sim, foi pessoal; não, não foi trabalho; sim, porque quis; sim, sozinha; não, não foi loucura; sim, estou me adaptando. Estou descobrindo e entendendo a cidade, as pessoas, o jeito de viver e de se relacionar, tudo ainda é novo, às vezes é confuso, tudo é muito devagar e eu preciso saber segurar minha pressa. Dependo de outros fatores também. Ainda falta a mesa que eu quero ter na sala. Os quadrinhos na parede do quarto. Uma colcha nova para a cama. E quem sabe um mapa na outra parte da sala em cima do sofá. Ainda falta. Mas tem vento entrando pela varanda e tem rede e tem tanto. Tem uns buracos também que preciso fechar – não na casa, em mim. Venho mudando como pessoa, mas não parei para tentar entender essas transformações e nem sei se preciso.

Olhando no macro, eu diria, como Chico, que aqui na terra estão jogando futebol, tem muito samba, muito choro e rock n’roll, nuns dias chove e outros dias bate sol, e que a coisa aqui tá preta, muita mutreta pra levar a situação –que a gente vai levando de teimoso e de pirraça (e eu, que nem tomo cachaça, nem fumo cigarro, não sei bem como segurar esse rojão).

Mas, olhando no micro, eu diria (e digo), meus caros amigos, que comigo está tudo bem. As pessoas interpretam que está fácil. “Vida boa”, falam. Não que não seja. Só que aí eu digo que está difícil, às vezes eu estou juntando os meus próprios cacos. E a cabeça delas dá um nó porque associam o bom ao fácil e não entendem que mesmo com trancos e barrancos dá para estar tudo bem. Estou feliz e talvez isso seja o bastante.

Um banho demorado, umas lagriminhas sob o chuveiro e novamente pronta para o dia a dia. Só acho que processar sentimentos devia ser uma coisa mais simples tipo processar legumes naquele aparelho.

Para ler ouvindo:

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