Aplicativos de transporte exclusivos para mulheres: menos assédio, mais segurança

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No meio de um monte de notícias recorrentes sobre assédio, abuso e estupro, vi algumas informações sobre aplicativos de transporte só para mulheres (motoristas e passageiras) e achei interessante. Não só para me informar, mas também para compartilhar aqui no blog, já que falo muito com outras mulheres que, como eu, viajam sozinhas ou passeiam nas próprias cidades sem necessariamente terem uma companhia. Ou, ainda, que saem só entre mulheres ou em turma/casal, mas estão sozinhas na hora de voltar para casa. Isso acaba sendo um “fator de risco”. A gente nunca sabe quando vai acontecer, quando vai ser a nossa vez. E não se trata de nenhum serviço em específico, ok? O problema não está no Táxi, no Uber, no ônibus ou no metrô, mas sim em alguns homens que se sentem no direito de fazer coisas do tipo.

Um caso recente ocorrido com a jornalista Clara Averbuck fez com que a hashtag #MeuMotoristaAbusador ganhasse espaço nas redes sociais, com muitas mulheres contando que já passaram por essas situações. E ainda me aparecem os “juízes da internet” acusando as vítimas de só estarem querendo aparecer, descredibilizando os relatos. E depois ainda me aparece um juiz dizendo que a ejaculação no pescoço de uma mulher dentro do ônibus não é constrangimento. Difícil. Muito difícil. Então baixei os dois principais aplicativos de motoristas mulheres: o FemiTáxi e o Lady Driver. E entrei em conato com ambos para entender melhor.

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FemiTáxi e Lady Driver

O FemiTaxi conta com taxistas como motoristas particulares e funciona nas cidades de Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Santos, Belo Horizonte e Goiânia. Até o fim do ano, o projeto é que chegue a mais 17 cidades.

O curioso é que esse app foi criado por um homem, Charles-Henry Calfat, em em dezembro de 2016, depois de ouvir histórias de amigas. “Muitas haviam passado por alguma situação de assédio dentro do transporte individual. Olhares invasivos pelo retrovisor, pedido do número do celular, perguntas sobre ter namorado, entre outras atitudes. E, infelizmente, as motoristas também estão expostas ao assédio dos homens, assim como as passageiras. Então veio a ideia de unir as duas partes”, conta.

O Lady Driver é um pouco mais recente, criado em março de 2017, e conta apenas com motoristas particulares. Por enquanto está disponível nas cidades de São Paulo, Guarulhos e Rio de Janeiro. A fundadora, Gabriela Correa, teve a ideia depois de sofrer assédio. “O motorista me buscou na porta de casa e chegou a mudar o caminho. Comecei a pensar quantas mulheres passam por isso. A gente se sente mais segura e tranquila com outra mulher”, diz.

Vai viajar sozinha? Leia histórias inspiradoras de outras mulheres.

Como usar os aplicativos de transporte

Os dois aplicativos estão disponíveis para Android e iOS. Para baixar, basta digitar o nome e aguardar a instalação. Depois, é preciso preencher alguns dados, como seu nome, email, telefone celular e número do cartão de crédito, que é a forma como será feita a cobrança. Dá para adicionar uma foto também. Se precisar editar alguma dessas informações ou ver seu histórico de corridas, é só clicar nos três pontinhos no canto esquerdo superior da tela e vão aparecer todas as opções.

Com o app devidamente instalado, quando precisar de um carro é só acessar que ele automaticamente vai localizar o endereço em que você se encontra (essa informação pode ser editada, já que nem sempre a localização é precisa). Você digita então o endereço de destino e ele informa o valor estimado da corrida. Ao confirmar, novas informações como o modelo e a placa do carro, bem como o nome da motorista e quanto tempo ele levará para chegar. Pelo mapinha é possível acompanhar o deslocamento. Aqui alguns prints de tela que fiz do meu celular:

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E dá para ganhar um descontinho na primeira corrida! 😀 Basta usar o código “Bemvindalady” no Lady Driver ou selecionar a opção “Express 20% off” no FemiTaxi.

Motoristas mulheres no Uber e Cabify

Esses aplicativos de transportes também têm profissionais femininas, mas nenhum deles dispõe, ainda, de uma forma de selecionar a preferência, mas seria uma boa. Quem ainda não usa esses aplicativos pode baixar e ter desconto na primeira corrida. É só usar o código ugmjhtn8ue (no Uber) e marianab664 (no Cabify)

Uma história interessante que aconteceu comigo! Comecei a pesquisar para fazer esse texto e, no dia seguinte, tinha uma viagem. Como ainda precisava configurar algumas coisas nos aplicativos e já estava em cima da hora, acabei optando por usar o Cabify mesmo. E qual não foi minha surpresa ao ver que a motorista era uma mulher! Sincronicidade! Logo toquei no assunto com ela, contei sobre isso e fomos conversando no longo caminho até o Galeão.

A Simone Tupini, além do transporte, hoje faz outros trabalhos muito bacanas, como acompanhamento – principalmente de idosos – seja para uma consulta, um serviço burocrático… Ao começar a trabalhar dirigindo, percebeu que havia essa demanda. Então hoje ela leva, aguarda, acompanha, e leva de volta. Tudo com segurança, confiança. Achei a ideia maravilhosa. Não vou me estender porque o texto já está longo demais, mas deixo o whatsapp dela para quem quiser entrar em contato: (21) 98821-3142.

E antes que alguém venha querendo problematizar, já deixo claro que eu sei, sim, que nem todo homem, nem todo taxista, nem todo motorista… enfim. Conheço alguns ótimos. Sei, também, que  o simples fato de ser mulher não é nenhum atestado de idoneidade, nem é garantia de nada. Mas é, pelo menos para mim (e sei que para muitas) uma sensação maior de segurança. Falo isso como mulher, como uma mulher que sente medo e que se sente, em alguns momentos, em um jogo de sorte ou azar. Se você pensa diferente, tudo bem também. Até porque não é nada obrigatório, né? São só alternativas a mais para quem prefere assim. E que bom que elas existem!

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