Turistas são os outros – ou a síndrome do viajante que se acha diferentão

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A frase “O inferno são os outros”, do filósofo francês Jean Paul Sartre, significa que a gente tende a ver nos outros os problemas e erros que não conseguimos enxergar em nós mesmos. E acho que isso também se aplica muito bem a alguns viajantes. Pelo menos é o que eu penso quando vejo (e tenho visto com uma certa frequência) alguém dizendo que a cidade ou o ponto turístico eram ótimos, mas uma pena que tinha “turista demais”.

Peraí! Se a pessoa estava lá, então também era turista, certo? Ou viajante, ou mochileiro, ou qualquer outro nome que você queira se dar, isso não te difere qualitativamente de quem comprou um pacote ou foi em excursão. Até porque não existe jeito certo ou errado de viajar. Tudo bem achar alguns comportamentos sem noção, coisas que incomodam, mas isso é da visão de cada um. A não ser em casos de regras, tipo jogar lixo no chão, falar alto onde não pode e tals, mas não é esse o ponto.

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Então voltemos às viagens… Eu viajo para turistar mesmo. Não só isso, mas também. Porque embora, estando em uma cidade, eu goste muito de conhecer lugares que não são turísticos, os clichês estão sempre presentes no meu roteiro e não tenho vergonha de assumir (deveria???). Pelo menos na primeira vez em uma cidade, os pontos mais famosos não podem faltar. Em Nova York, ir à Estátua da Liberdade. Em Paris, à Torre Eiffel. Em Roma, ao Coliseu. No Rio de Janeiro, ao Cristo Redentor.

Qual o sentido de dizer que esses lugares seriam maravilhosos se não fosse a quantidade de turistas, quando você também está lá? O mesmo acontece quando o aeroporto ou a estrada estão cheios e os comentários questionam “por que todo mundo resolveu viajar agora?”, num tom de crítica. Todo mundo, incluindo você. Ou eu.

Fora que é cafonérrimo gente que fala na terceira pessoa como se não fizesse parte do grupo. “Turista só atrapalha”, “Brasileiro não sabe viajar”. Só você, o turista perfeito, o brasileiro diferentão… Sério, não tenho paciência!

Não estou discordando do fato de que a grande quantidade de gente atrapalha ou deixa um lugar menos interessante. Isso não dá para negar. O turismo vem ficando mais e mais popular, o número de viajantes é crescente, então tudo isso influi. E embora eu não ache, de forma nenhuma, negativo, acho que alguns pontos precisam ser repensados, sim. Mas o que incomoda mesmo é ver gente que faz parte do que ela própria chama de “problema”, mas fala como se estivesse de fora. Vamos repensar?

 

A Amanda, do blog As Viagens de Trintim, também escreveu sobre esse tema. Vale a leitura!