Visite museus no Brasil! Precisamos conhecer e valorizar nossa cultura e nossa história

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O incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro, no início de setembro, me deixou arrasada. A mim e a muita gente. Era o maior museu de história natural e antropologia da América Latina e a instituição científica mais antiga do Brasil, com 200 anos de existência – foi criado por D. João VI em 1.818 e chegou a ser residência da família real. Mais que isso, eram muitos anos de história, contados por mais de 20 milhões de itens catalogados. Lá estava o fóssil humano mais antigo das Américas, além de múmias, registros históricos, documentos importantes, animais taxidermizados, esqueletos, culturas de diferentes origens e obras de arte. Ver tudo aquilo ser consumido pelo fogo chegou a doer. Porque não tem volta. Não existe criar réplicas, restaurar. Acabou.

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A partir desse episódio, muitas discussões surgiram, especialmente lembrando a falta de manutenção do museu, que chegou até a ficar fechado por um período. As verbas, mesmo quando repassadas, eram baixíssimas. Uma triste realidade da grande maioria dos museus do Brasil. De tudo, o que mais me chocou foi saber que o último presidente que esteve no Museu Nacional foi Juscelino Kubitschek. Depois dele nenhum outro se interessou a ir lá, nem que fosse por obrigação. Na comemoração dos 200 anos nenhuma autoridade compareceu! E olha que estamos falando de um dos museus mais importante do país! Isso mostra muito como nossos governantes (não) dão valor à nossa história, cultura, educação – o que se reflete, obviamente, no comportamento das pessoas.

Porque essa falta de investimentos leva à má conservação, que torna os museus menos atrativos, que faz com que cada vez menos gente vá, o que leva os governantes a acharem que não é preciso investir e vira um círculo vicioso que, muitas vezes, culminam com o fechamento dos espaços. Não somos culpados. Somos vítimas desse sistema. Quantas pessoas a gente conhece que não frequenta museus no Brasil ou nem sabe que tem na própria cidade, mas adora ir quando viaja, especialmente no exterior? E sem apontar o dedo, porque acontece às vezes comigo, deve acontecer com você também, a gente vai deixando pra depois, talvez por acharmos que vai estar sempre ali, e acabamos não dando o devido valor.

Detesto esse tipo de comparação, que pode soar como o complexo de vira-latas de Nelson Rodrigues… Mas, na Europa e em outras partes do mundo, ao contrário do que acontece por aqui, os museus são super e sempre valorizados pela população, pelo poder público e pelos turistas! Vende mais por que é fresquinho ou é fresquinho por que vende mais? (#EntregandoAIdade) Fato é que estão sempre entre os principais pontos a serem visitados. Não por acaso, em 2017 mais brasileiros foram ao Louvre, em Paris, que ao Nacional do Rio!

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Eu sou suspeita para falar de tudo isso porque adoro museus! É sempre uma das primeiras coisas que pesquiso quando vou viajar. Mesmo os pequenininos, gosto de ir. Às vezes chega a dar pena ver o abandono, a simplicidade, o vazio… Dá vontade de procurar algum órgão responsável, propor alguma coisa, sugerir quem avisem mais, que estimulem, que coloquem no currículo do ensino fundamental e médio. Fico imaginando como nossa educação seria mais rica se todas as escolas tivessem ações para levar os alunos a diferentes museus, mas sei que depende de muitos fatores e é papo para outro texto – que aliás este já está bem grandinho, então vamos ao que interessa!

Pensando em tudo isso, tentei buscar uma lista dos museus nacionais. De tudo o que pesquisei, acho que o mais confiável é o Portal do Instituto Brasileiro de Museus, do Ministério da Cultura, que tem a plataforma Museusbr com mapa interativo e informações atualizadas de cada estado do Brasil.

A verdade é que não achei nada muito completo ou concreto – essa falta de informação também diz muito sobre tudo isso. Inclusive acho que uma coisa que faz falta é a divulgação. Porque as exposições que ganham a mídia – geralmente temporárias e/ou de um tema específico – chegam a atrair multidões, enquanto, no dia a dia, muitas vezes os acervos ficam às moscas.

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E olha que os museus no Brasil não são caros. Vários são gratuitos e, os que são pagos, têm valores baixos se comparados a museus famosos no mundo – voltando a citar o Louvre, aquele que nós brasileiros tanto gostamos, a entrada custa 15 euros (o equivalente a 60 reais). Além disso, a maioria tem um dia gratuito. Ainda assim, de certa forma pode ser considerado um tipo de passeio elitista. Reconheçamos nossos privilégios. Porque o acesso à cultura, em geral, é elitista e isso não tem a ver necessariamente com dinheiro, mas com o que já foi falado de estímulo, de educação, um desconhecimento que leva a uma sensação de não-pertencimento e tudo volta ao mesmo círculo vicioso de antes.

Mas, ao invés de ficarmos questionando os porquês, vamos colocar em prática e fazer a nossa parte enquanto é tempo, depois não adianta lamentar. Vamos conhecer e valorizar nossa memória histórica, cultural e artística. Isso faz a diferença em muitos aspectos e pode fazer a roda girar de forma diferente. Porque como diz uma famosa frase “um país sem passado não tem futuro”.

* Foto principal: By Fabiokhaled [CC BY-SA 4.0 ], from Wikimedia Commons

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