Onde fica, afinal, essa tal zona de conforto?

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Dizem que temos de sair dela. Mas como eu vou sair se ainda nem a encontrei? Sigo na procura. Ao longo da vida eu venho buscando coisas que eu gostaria de viver, abrindo novas portas, conhecendo novas possibilidades, me sentindo feliz… mas conforto é uma palavra que nunca fez parte disso. Não que eu me lembre. Eu desde muito nova vivi e ainda vivo um desconforto interno, de não me sentir parte, de não me sentir bem. E é isso que me move. Mas é engraçado ver como as pessoas adoram falar que isso é “sair da zona de conforto”, quando, na verdade, ninguém questionou se eu estava realmente confortável. Não, eu não estava. Ainda sigo buscando encontrar um lugar (não só físico, mas uma condição geral) que vá me possibilitar isso!

Um exemplo recente foi minha mudança para o Espírito Santo depois de anos no Rio de Janeiro. Muita gente colocou (para o bem ou para o mal) como uma saída da zona de conforto. Mas, de novo: quem foi que disse que eu estava confortável? Se estivesse tudo bem talvez eu nem teria me mudado!

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Eu entendo o conceito, claro. E os benefícios. Nada contra, tenho até amigos que fazem. Mas que insistência é essa para que os outros saiam da zona de conforto deles? Sai você, ué! Não aguento ver tanta gente colocando como se fosse uma questão de escolha. Como se tivesse algo de errado com quem passa a vida no mesmo lugar onde nasceu ou no mesmo emprego até a aposentadoria. Ou como se todo mundo pudesse não optar por isso.

Aí vira e mexe tem alguém posando de guru da vida alheia e dando (ou melhor, vendendo) uma palestra ou curso com esse tipo de conselho. E dá-lhe frases de efeito motivacional! No meio das viagens, então… “Largue tudo”. “Viva viajando”. “Viaje para sempre”. “Larguei meu emprego e vim ser feliz mesmo com menos”.

É lógico que viajar, para continuar com o exemplo mais clássico, traz mudanças positivas! Só o fato de estar em uma cidade que não é a nossa, em um lugar com o qual não estamos acostumados, já nos tira dessa “zona de conforto”. Já nos faz crescer. Eu adoro! Mas não viajo me forçando a isso. Viajo porque gosto e o aprendizado é consequência. Ver o diferente, ir mais longe, a um estado com tradições diferentes, a um país que fala outra língua, conviver com outros costumes, conversar com pessoas que a gente não conhece, comer outras comidas, enxergar além do nosso próprio mundo… isso é ótimo!

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Mas um garoto de 20 anos que mora na periferia, sai de casa cedo para trabalhar + estudar e volta à noite, está muito mais fora da zona de conforto do que um homem de 25 que se formou, começou a trabalhar, não era o que queria, largou o emprego e agora está viajando o mundo com o dinheiro que juntou porque não precisava fazer as próprias despesas nem ajudar em casa. Ou até mesmo bancado pelos pais, ou, pelo menos, com a certeza de ter cama, comida e roupa lavada quando voltar, ainda que tenha optado por passar alguns perrengues (e aprender com eles).

Posar de desapegado é fácil! Ser despegado por um período é fácil! Mas ostentar simplicidade nas redes sociais e se gabar de ter saído da zona de conforto porque fez voluntariado num país pobre ou dormiu acampando ao invés de ir para um hotel ou um destino mais estruturado é apenas ridículo. O que mais tem por aí é gente que se diverte contando os perrengues que passou no intercâmbio ou na eurotrip, mas continua sem lavar um copo dentro de casa.

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Por aqui, estou há anos em busca da minha zona de conforto. De viver sem medo, sem ansiedade, sem risco. De poder morar em um lugar bacana, ter uma renda que me permita dormir tranquila sem me preocupar com o vencimento dos boletos, com a possibilidade de poder viajar de vez em quando. Fazer o que eu gosto, relaxar, esvaziar a mente. Tipo a casa no campo da Elis, só que na praia. Com meus amigos, meus discos e livros. E nada mais.

Porque quem prega a saída da zona de conforto como algo obrigatório é, geralmente, quem sempre teve e ainda tem todo o conforto do mundo. E no fim das contas não abriu mão de nada. É tipo dizer que dinheiro não é importante, mas sim as coisas simples da vida – quem se orgulha de dizer isso é sempre alguém que tem, sim, dinheiro e/ou suporte familiar/financeiro e acha divertido brincar de ser simples. Pobre viajante rico!

Para ler ouvindo:

* Foto: Imagem de Free-Photos por Pixabay

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