Se você viaja (ou faz qualquer coisa) sozinha, agradeça a essas mulheres

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No passado uma mulher não podia estudar, trabalhar, usar determinadas roupas, votar, dirigir, se casar com quem escolhesse, ser dona do próprio corpo e dos próprios desejos. Avançamos, mas as consequências dessa opressão ainda persistem. Ainda ganhamos salários menores, ainda somos agredidas (500 mulheres por hora), espancadas (5 a cada 2 minutos), somos exploradas em jornadas duplas e triplas, julgadas em muitas atitudes… Como já escrevi aqui no texto Sobre os direitos das mulheres, vivemos no século XXI, mas às vezes parece que estamos em 1920 ou até menos.

Por isso sempre digo que uma mulher viajar sozinha ou na companhia só de mulheres é, também, um ato de resistência! Nos permitir ir além e romper com expectativas que os outros criaram sobre nós é algo que muda a vida. E que, aos poucos, muda o mundo. Foi assim que muitas mulheres fizeram, em diferentes momentos, em diferentes áreas. É a elas que devemos muitas de nossas conquistas.

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30 pioneiras na luta pelos Direitos das Mulheres

Acho importante, primeiro, entender o contexto do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 08 de março. A data foi instituída em 1911 em homenagem a 129 operárias de uma fábrica têxtil em Nova York que, anos antes, em 1857, morreram queimadas por estarem organizando greves e reivindicando redução da jornada (que era de 14 horas) e direito à licença-maternidade.

Mas o histórico de luta pelos direitos das mulheres já existe, pelo menos, desde o século XV, quando muitas resistiam às imposições da igreja e, por isso, morriam na fogueira. Ao longo dos anos as lutas foram mudando, novas conquistas foram sendo reivindicadas. Listei algumas que quebraram paradigmas e foram importantes nesse processo, seja em relação a comportamentos ou profissões. É graças a elas que hoje podemos usufruir de um pouco mais de liberdade!

Dandara Albano

Esposa de Zumbi, lutou como uma guerreira pela preservação do Quilombo dos Palmares na época do Brasil colonial e virou um símbolo da luta das mulheres negras. Mas não há muitas informações concretas sobre sua história e sua vida, mas acredita-se que ela tenha se matado em 1694, depois de ter sido presa, para não voltar a ser escrava.

Mary Wollstonecraft

Inglesa, nascida em meados do século XVIII e defensora dos direitos das mulheres, foi uma das escritoras pioneiras em publicações sobre o movimento feminista, propondo uma educação que valorizasse a inteligência das mulheres.

Elizabeth Cady Stanton e Susan Anthony

Em meados do século XIX elas se uniram para lutar pela participação das mulheres na democracia e fizeram parte do movimento das Sufragistas nos Estados Unidos. Mas as reivindicações não eram restritas ao direito ao voto, e sim a várias questões do universo feminino, como direitos ao emprego e renda, divórcio, entre outros.

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Dandara: Reprodução Jornal O Globo. Mary: George G. Rockwood via Wikimedia Commons. Elizabeth e Susan: Domínio Público via Wikimedia Commons

Olympe de Gouges

Ativista política, saiu do interior da França e foi para Paris, onde liderou diversos movimentos, publicou textos e escreveu peças de teatro. Lutou durante a Revolução Francesa para que as mulheres pudessem ter uma vida mais digna e os mesmos direitos que os homens. Por causa disso, morreu guilhotinada em 1793.

Maria Quitéria

Ela cortou os cabelos, fugiu de casa e se alistou com um nome falso para entrar em combate pelo Brasil. Foi assim que em 1823 se tornou a 1ª mulher combatente da história do país. Era boa no manejo das armas e, por isso, mesmo depois de descoberta, teve sua permanência no batalhão defendida e lutou junto com os homens.

Elizabeth Blackwell

Foi a 1ª mulher do mundo a se formar em medicina, em 1849 nos Estados Unidos. Foi rejeitada por diversas universidades até que conseguiu uma vaga no Medical College Genebra em Nova York. A história é curiosa: para que ela pudesse ser aceita, os professores fizeram uma votação entre os alunos, todos homens, que acharam se tratar de uma piada e, por isso, votaram de forma favorável. Ela se tornou ativista e em 1868 criou uma escola de medicina para mulheres.

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Olympe: Domínio Público via Wikimedia Commons. M. Quitéria: Domenico Failutti via Wikimedia Commons. Elizabeth: Hobart and William Smith Colleges Archives via Wikimedia Commons

Nísia Floresta

Foi a 1ª mulher a publicar textos em um jornal, no século XIX. Educadora e escritora, publicou livros em defesa dos direitos das mulheres, dos escravos e dos índio. Também participou de movimentos pela igualdade política. A cidade onde nasceu, no Rio Grande do Norte, hoje tem o seu nome.

Rosa Luxemburgo

Nascida na Polônia, se envolveu com política ainda na escola, ao entrar para o Partido do Proletariado e ajudar a organizar greves. Fugindo de uma ordem de prisão, foi para a universidade na Suíça. Depois se casou com um alemão para conseguir cidadania do país, se filiou ao Partido Social-Democrata e liderou lutas antimilitaristas. Foi presa e, já solta, participou da criação do Partido Comunista da Alemanha e fundou o jornal A Bandeira Vermelha para divulgar seus ideais. Foi assassinada brutalmente em 1919.

Charlotte Cooper

A tenista britânica foi a 1ª mulher a ganhar uma medalha de ouro em uma Olimpíada e subir no lugar mais alto do pódio. A conquista foi nos Jogos de Paris em 1900, ano em que as categorias femininas tiveram sua estreia na competição.

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Nísia: Domínio Público via Wikimedia Commons. Rosa: Lehtikuva via Wikimedia Commons. Charlotte: Domínio Público via Wikimedia Commons

Marie Curie

Cientista polonesa naturalizada francesa, foi pioneira em pesquisas sobre radioatividade (termo que ela inventou). Enfrentou inúmeros preconceitos contra mulheres no meio acadêmico no fim do século XIX. Em 1903 se tornou a 1ª mulher a ganhar um Prêmio Nobel, em Física. Em 1911 ganhou também em Química, se tornando a 1ª pessoa a ganhar duas vezes a premiação.

Laudelina de Campos Melo

Fundou o 1° sindicato de trabalhadoras domésticas no Brasil. Ela começou a trabalhar como doméstica aos sete anos. Aos 16, em 1920, passou a atuar em movimentos que promoviam atividades políticas e recreativas para negros. Fundou a 1ª Associação de Trabalhadores Domésticos e a Associação Profissional Beneficente das Empregadas Domésticas, que influenciaram o surgimento de novas entidades e, mais tarde, do sindicato.

Alzira Soriano

Foi a 1ª mulher do Brasil e da América Latina a ser eleita prefeita de uma cidade, em Lages, no Rio Grande do Norte, em 1928, aos 32 anos. Ela teve 60% dos votos numa época em que as mulheres ainda nem podiam votar. Sua gestão foi marcada pela construção de escolas, estradas e mercados.

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Marie: Domínio Público via Wikimedia Commons. Laudelina: Domínio Público via Wikimedia Commons. Alzira: Reprodução G1

Celina Guimarães

Foi a 1ª eleitora registrada no do Brasil. Mas a luta pelo voto feminino tem vários nomes. Isabel de Souza Matos e Isabel Dillon, que no fim do século XIX abriram a discussão sobre o tema; Leolinda Daltro, fundadora do Partido Republicano Feminino em 1910; Bertha Luz, que participou da elaboração da Constituição que garantiu o direito ao voto (inicialmente concedido apenas às casadas, com autorização do marido). Em 1934 o voto foi ampliado para as que exerciam algum trabalho remunerado e só em 1946 é que todas, sem exceção, passaram a ter esse direito.

Virginia Brindis de Salas

Foi a 1ª mulher negra a publicar poemas na América do Sul, na década de 1940. Uruguaia, foi ativista do movimento negro e abordava sempre o tema em suas obras, além de denunciar o racismo no país.

Rosa Parks

Ela se recusou a se levantar para ceder seu lugar no ônibus a um homem branco e foi presa. O ano era 1955 e a segregação racial ainda era forte nos Estados Unidos, com lugares reservados para negros nos transportes. A atitude fez com que essa costureira se tornasse um símbolo do movimento dos direitos dos negros no país. Depois de ser solta, teve dificuldade em conseguir emprego, recebeu muitas ameaças de morte, se mudou de cidade, mas nunca deixou de lado sua luta.

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Celina: Site celinaguimaraes.com.br. Virgínia: Domínio Público via Wikimedia Commons. Rosa: Domínio Público via Wikimedia Commons

Leia também: textos meus e de outras mulheres viajantes para te inspirar

Dorothy Vaughan, Mary Jackson e Katherine Johnson

Americanas e negras que começaram a trabalhar na NASA nas décadas de 1940/1950 e tiveram um papel importante para que outras minorias tivessem espaço na instituição. A história delas foi mostrada no filme Estrelas Além do Tempo. Foram, respectivamente, a 1ª mulher negra a assumir um cargo de gerência, a 1ª engeneira negra da NASA e a responsável pelos cálculos da trajetória da nave em que o astronauta John Glenn se tornou o 1º humano a orbitar a terra.

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Dorothy, Mary, Katherine: NASA via Wikimedia Commons

Leila Diniz

A atriz carioca foi a 1ª mulher a aparecer grávida usando biquíni ao ir à praia, deixando as pessoas chocadas. Isso já em 1970! Ela era considerada à frente do seu tempo por falar abertamente sobre o prazer sexual das mulheres e o amor livre. Foi um dos símbolos da revolução feminina no Brasil e morreu precocemente aos 27 anos em um acidente aéreo.

Lea Campos

Brasileira, foi a 1ª árbitra de futebol do mundo. Formada pela escola de árbitros da Federação Mineira de Futebol, teve seu diploma reconhecido pela CBF em 1971 e fez sua estreia nos campos no 1º amistoso mundial de futebol feminino, realizado no México. Em um meio que, na época, era totalmente masculino, ela lutou muito para que mulheres fossem aceitas no futebol. Atualmente mora nos Estados Unidos.

Arethuza Figueiredo Aguiar

Foi a 1ª mulher a se divorciar no Brasil, em 1977, três dias após a lei ser oficializada. Até então, o casamento era considerado indissolúvel. Desde a década de 1940 havia tentativas de instituir o divórcio, o que não avançava, muito por causa do poder da igreja católica e de setores conservadores do país. Só em 77 isso aconteceu e só em 1988 passou a ser permitido se casar novamente quantas vezes quiser.

Maria da Penha

Farmacêutica, cearense, mãe de três filhas, ficou paraplégica em consequência das agressões do seu então marido – um tiro e uma tentativa de ser eletrocutada no banho. Ela procurou a Justiça, entrou com processo, o tema começou a ser mais debatido e ela se tornou líder na defesa dos direitos das mulheres vítimas de violência doméstica e feminicídio. Sua luta foi enorme, até que em 2006 fosse sancionada uma lei específica para esse tipo de crime. É a Lei Maria da Penha, que leva seu nome.

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Leila: Acervo Arquivo Nacional via Wikimedia Commons. Lea: Reprodução As Mina Na História. Maria: Cesar Itiberê via Wikimedia Commons

E as mulheres viajantes?

Sim, no mundo das viagens muitas mulheres também foram pioneiras e fizeram história! Listei quatro, do passado e mais recente, cujas conquistas considero muito significativas.

Jeanne Baret

Conquistou o mundo pelo mar! Ela participou da 1ª expedição marítima francesa entre 1766 a 1769. Como na época era proibido ter mulheres na marinha, precisou de um disfarce: se vestiu de homem e se alistou com o nome Jean.

Annie Londonderry

Conquistou o mundo de bicicleta! Durante 15 meses ela pedalou por diferentes lugares do mundo. Desafiou costumes da época (1894/1895) usando roupas que mulheres não usavam e deixando marido e filhos em casa, nos Estados Unidos, para seguir sua jornada.

Amália Earhart

Conquistou o mundo pelo céu! Foi a 1ª mulher a sobrevoar o Oceano Atlântico, em 1928. Ela trabalhou em diferentes áreas, juntou dinheiro para pagar aulas de voo e depois comprou um avião. Uma de suas frases: “As mulheres devem tentar fazer coisas assim como homens tentaram. Quando elas falham, suas falhas devem ser um desafio para outras”.

Izabel Pimentel

Conquistou o mundo de veleiro! Brasileira, foi a 1ª mulher do nosso país a cruzar o Oceano Atlântico velejando, em 2006, e a 1ª mulher da América Latina a dar a volta ao mundo desta forma, em 2014. Tem um livro publicado, A Travessia de Uma Mulher, no qual conta suas histórias.

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Amália: Harris Ewing. Jeanne: ilustração de Cristoforo Dall’Acqua. Annie: Domínio Público. Izabel: Arisson Marinho. Via Wikimedia Commons

Dia da Mulher

Sei que muitas mulheres importantes ficaram de fora da lista. Mas a ideia é mostrar que algumas conquistas femininas – mesmo aquelas que parecem simples hoje, um dia pareciam impossíveis. Foi graças a essas e outras guerreiras que as coisas mudaram. E é duro ver como ainda hoje tem gente querendo cercear nossas liberdades, nos colocar em uma posição inferior, nos diminuir, nos julgar, uma sensação de que estamos voltando no tempo…

Então, o que proponho a partir disso, é que todas e todos pensem no Dia da Mulher em seu contexto histórico, muito além das mensagens sofre força ou beleza feminina, muito além das flores e dos chocolates. Vamos celebrar as que vieram antes de nós desbravando o mundo! Agradecer às nossas mães/avós que retiraram pedras do caminho para que nossa trajetória fosse um pouco mais leve. Pensar nas professoras, amigas, tantas que certamente fortaleceram e inspiraram nossas trajetórias. E não desistir de lutar por um ideal de futuro com respeito, oportunidades, representatividade e igualdade. Para que um dia todas nós possamos ser essencialmente e completamente livres para sermos e fazermos o que quisermos! E que a data possa, enfim, ser digna de comemoração!

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* Foto principal: Pixabay

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