Uma mulher precisa viajar…

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Existe um texto muito famoso do navegador Amyr Klink que circula na internet com o título “Um homem precisa viajar”. Eu amo esse texto que, na verdade, é um trecho do livro “Mar sem fim” e meio que viralizou, você já deve ter visto por aí.

Estava lendo, mais uma vez, porque são palavras que sempre me inspiram… aí me veio a ideia de criar uma versão feminina – eu sei que por “homem” ele está dizendo o ser humano em geral, e não no sentido masculino, então tudo o que foi escrito valeria para ambos os sexos. Mas o Dia Internacional da Mulher está chegando e quis fazer minha própria reflexão sobre minhas viagens, especialmente sobre viajar sozinha, com base no que ele escreveu.

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“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu.”

Viajar, pra mim, não significa necessariamente pegar um avião ou um ônibus e se deslocar por horas. Não significa sair do país, conhecer outros continentes, nem mesmo outros estados. Viajar tem a ver com vivenciar novas descobertas. E para isso, o que cada pessoa precisa é se dar a chance de ver além do seu próprio mundo – aí, é claro, estar em novos territórios ajuda muito e, embora eu ache válido (inclusive adoro) viajar através de livros e etc, entendo quando ele fala sobre ir com os próprios pés, ver com os próprios olhos. Porque nada se compara a estar realmente em um lugar. Nem precisa ser longe, basta ser diferente do que estamos acostumadas. Então dá para “viajar” até na própria cidade, seja conhecendo um novo ponto, buscando uma atividade, fazendo um caminho diferente do habitual. Por nossa conta. Do nosso jeito. Sei que ser mulher é, infelizmente, ter uma sensação frequente de insegurança, por motivos reais, o que faz com que muitas vezes a gente prefira ficar onde está. Mas nos permitir ir além do próprio mundo e romper com as expectativas que os outros criaram sobre nós é algo que muda a vida!

“Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto.”

Ter que se virar sozinha e aprender a ter prazer com a própria companhia faz a gente repensar muitas coisas, entender o que é ou não prioridade e até saber do que realmente a gente gosta ou não gosta, o que a gente quer ou não quer, o que é essencialmente nosso ou o que fomos condicionadas a pensar… É um autoconhecimento que nos transforma internamente. Mesmo que não seja sozinha, que viaje acompanhada, o fato de vivenciar experiências diferentes já muda o nosso olhar. Aprendemos que é possível viver de outras formas, passamos a enxergar possibilidades onde antes não víamos e deixamos de ligar para coisas que, no fim das contas, não têm a menor importância. A cada novo passo vamos entendendo que o mundo é nosso, deixando um pouquinho do medo pra trás e nos tornamos mais fortes e mais corajosas para tomarmos decisões – e para arcarmos com as consequências. E, principalmente, passamos a dar o verdadeiro valor a cada pequena coisa no nosso dia a dia e às pessoas que realmente valem a pena.

“Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.”

Arrisco a dizer que viajar é, também, um exercício de desconstrução. Seja sozinha ou acompanhada, estar fora da zona de conforto, ter que lidar com o ‘não-saber’, com o ‘não-conhecer’, ser uma estranha, perceber que há muito mais do que nossas próprias verdades e convicções… é uma forma de realmente quebrar a nossa arrogância (talvez a palavra seja pesada, mas entendo aqui como algumas certezas que temos – ou que achamos que temos). E o melhor das viagens é poder mudar isso a partir das novas conexões que surgem, seja com lugares, com pessoas ou, principalmente, com nós mesmas. No nosso caso, como mulheres que quase nunca somos incentivadas a essa expansão – seja pessoal ou territorial – acho que esse “simplesmente ir e ver” é ainda mais importante, talvez por ser mais difícil. Então esqueça os velhos paradigmas, ignore os conselhos desanimadores, não dê ouvidos às pessoas que criticam suas decisões. Ninguém precisa seguir uma cartilha e todas nós somos capazes de ir além! Apenas vá. E volte contando belas histórias! Quanto mais as experiências positivas se espalharem, mais nós vamos nos sentir inspiradas e encorajadas!

Leia aqui alguns relatos de mulheres que viajam sozinhas

Para ler ouvindo: