Sobre viagens e histórias de amor fracassadas

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Nos livros e nos filmes é comum ver pessoas que estão viajando e, despretensiosamente, encontram o homem/mulher de suas vidas. Os roteiros podem até variar – uma viagem solo, em família, a trabalho, com amigos ou até para curar uma fossa – mas o final feliz não falta nas histórias de amor!

E, não dá para negar, tudo isso molda nossas expectativas, embora a gente saiba que a realidade está mais no estilo Molejão: não era amor, era cilada. Ainda assim, vez por outra a gente cai, por que né? É a vida…

E como este é um espaço para compartilhar (também) sobre viagens, resolvi reunir relatos de amores que envolveram viagens, mas que não deram certo. #QuemNunca

Antes de começar, já aviso que os relatos aqui não são todos meus. Na verdade só um é. Os demais são de outras produtoras de conteúdo de viagem que também já entenderam que às vezes um joelho ralado dói bem menos que um coração partido. No fim tem o nome de todas que participaram e os links para seus respectivos blogs. Mas vai ficar por conta da imaginação de vocês saber quem foi que viveu cada uma dessas situações…

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Bloco do eu sozinho

A garota foi passar o ano novo com amigos em outro estado e, depois dos festejos da virada, conheceu por acaso um cara. Paixão à primeira vista, sensação de que não seria possível viver se não o visse novamente. Por sorte ou pela flechada certa do cupido ele pediu o telefone dela e, no primeiro dia do ano, marcaram de se encontrar. À noite ela foi embora com o coração apertado. Mas ele logo deu sinais (ah esses sinais) de que também estava na mesma sintonia. Eram mensagens diárias e vários telefonemas cheios de saudade. Até que mais de um mês depois, no Carnaval, ela resolveu voltar ao destino do ano novo para passar os dias de folia ao lado dele.

Ansiedade a mil, horas e horas de estrada… “Oi, cheguei”. A reação não foi das mais animadas, mas claro que ele estava sob o impacto do encontro que ia acontecer. Mais tarde se encontraram e foi incrível. Pelo menos na cabeça dela. Depois de algumas horas ele disse que teria de ir com o pai arrumar algo na casa em uma cidade vizinha e voltaria à tarde. E nunca mais deu sinal. Nunca. Mais.

Ela ligava, mandava mensagem, ligava até no fixo da casa dele – onde, segundo o irmão, ele nunca estava. Enquanto nas ruas os blocos passavam e os foliões se divertiam, ela permanecia na casa do amigo onde estava hospedada, sozinha. Esperando, porque era lógico que o cara iria aparecer mais cedo ou mais tarde, se desculpando, quem sabe até com flores.

E assim, saboreando um amargo chá de sumiço, ela passou cinco longos dias de Carnaval que mais pareceram décadas. Na viagem de volta, a playlist romântica que preparou para a ida agora só fazia chorar. Anos se passaram até que um dia, na mesma cidade, ele apareceu para ela no Tinder. Foi o melhor “dislike” que já deu. Sem a menor condição de ficar no vácuo novamente!

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Idas e vindas do amor

Ela foi para uma capital do Nordeste com uma amiga, visitar a família dela. Chegando lá conheceu o primo da amiga em uma festa e rolou na hora uma química. Olhares, conversa e muita risada. Mas a família toda da amiga estava na festa e ficaram tímidos…

No dia seguinte ele chamou a garota para um chopp e, quando ela percebeu, já estava montada na garupa da moto dele passeando pelos pontos turísticos da cidade. Ela nunca tinha andado de moto e estava apavorada e ao mesmo tempo empolgada com a aventura. O passeio se transformou em uma linda noite de amor que ela achava que acabaria no dia seguinte, quando embarcasse  de volta para casa. Para ela seria uma noite apenas.

A garota voltou para casa, mas eles não conseguiam parar de se falar. Duas semanas depois, pegou um avião para vê-lo. Seria um fim de semana prolongado de despedida, ela pensou. Foram para uma pousada em uma praia semi deserta da região e passaram os dias se dividindo entre o namoro, o sol, a areia e o mar azul. Mais uma despedida e ela pensou que agora era para sempre. Mas se enganou mais uma vez… Passado um mês de conversas, risos e confissões, ele foi encontrá-la. Então foi ela quem mostrou sua cidade para ele. Sem moto, claro! A menina já não estava mais pronta para dizer adeus e nos seus sonhos já planejava viajar para voltar a vê-lo. Mas, dessa vez, se enganou.

No aeroporto, a despedida e a decisão de que era melhor pararem por ali. Doeu muito, ela tentou esconder as lágrimas e se mostrar forte. Mas não deu… Chorou pelo romance que se acabava enquanto ele caminhava para embarcar no avião. Foi a última vez que se viram. Ela guarda com carinho a lembrança desses dias felizes.

Ela foi a outra, em outro país

Uma década atrás, ela foi fazer um mochilão e logo que chegou ao lugar onde ficaria mais tempo, seus amigos a apresentaram a um amigo deles, estudante da República Tcheca. Ela achou ele gato, mas ele tinha uma namorada no país dele e de cara já tinham dito que ele era fiel. Ela deixou pra lá e focou em outras pessoas.

Um belo dia, na véspera de uma viagem que ele iria fazer, na hora de se despedir dela ele tascou um beijo… Que beijo! Enquanto ele curtiu quatro dias em outro lugar, ela ficou imaginando o que ele queria com aquele beijo e o que aconteceria na volta.

Quando ele voltou, se encontraram em uma balada e ficaram. Em poucos dias aquilo se desenvolveu para um compromisso mais “sério”. Eles se viam todos os dias e faziam tudo junto. Os amigos já contavam com a presença de um quando convidavam o outro para alguma coisa e as pessoas com quem ele dividia o apartamento já estavam super acostumadas com ela.

Mas eles não se chamavam de “namorados”, não faziam planos para o futuro, ela não falou dele para ninguém da família e ele não falou dela para ninguém no país dele… Mesmo porque ele não chegou a terminar com a namorada tcheca.

Depois de semanas assim, o curso dele terminou e ele voltou para casa. Ela ficou meio depressiva por um tempo e engordou bastante rapidamente, mas depois também chegou a hora dela ir embora. Hoje o único contato que ela tem com ele são as fotos de família feliz que ele posta no Facebook – depois que voltou, ele pediu aquela namorada em casamento e tem dois filhos fofíssimos!

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Gente que adora um mineirim

Era o primeiro ano em que a lei do estágio entrava em vigor e ela tinha marcado uma viagem para o Rio de Janeiro com uma amiga. Quinze dias inteiros de férias. Como sobraria tempo, decidiram quebrar o roteiro: metade RJ, metade Minas Gerais. Cada uma delas tinha uma paixão mal resolvida no estado do pão de queijo, o que justificava a escolha.

Nossa protagonista romântica, no auge dos seus 20 e poucos anos, avisou o crush mineiro antes mesmo de sair da sua cidade natal e acordava a cada dia com uma nova mensagem fofa do menino. Os dois tinham se conhecido anos antes em um Carnaval e mantinham contato desde então. No segundo dia de viagem, ainda no Rio, aconteceu o impensável: outro mineiro cruzou o caminho dela. Romance de uma noite, nada que fosse atrapalhar a paixão que estava sendo adiada há anos. Por coincidência, ambos iam para Belo Horizonte no mesmo dia, então acabaram viajando juntos. O que poderia dar errado? Chegando em Belo Horizonte, as duas amigas ficariam cinco dias em Couchsurfing e os últimos dois em um hostel. O crush oficial já estava avisado e, portanto, sabia que seria difícil de se verem no primeiro dia. O secundário também entendeu.

A coisa complicou mesmo quando ela descobriu que o dono da casa em que ficaria hospedada tinha um amigo apaixonante. Sotaque do interior, riso que fazia esquecer da vida. Não demorou nem 24 horas para apagar da cabeça os romances anteriores e sair andando abraçadinha no seu mineiro n° 3. O celular permaneceu desligado até o último dia do roteiro, quando achou uma brecha para finalmente encontrar quem tinha motivado toda a viagem para Minas Gerais. O encontro demorou só o tempo suficiente para contar que estava APAIXONADA por outro – o mesmo outro que precisou “visitar a família no interior” no dia seguinte e nunca mais deu sinal.

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Imagem de Alexas_Fotos por Pixabay

Não leve a mal, era Carnaval

Era carnaval, os amigos de intercâmbio marcaram de se reunir e ela combinou de ficar na casa de um deles. Os dois não eram tão próximos quando se conheceram, mas continuavam com a amizade, mesmo após vários anos. Antes de se encontrarem, eles escolheram as fantasias, definiram os temas por blocos e bateram muito papo. Por fim, ela acabou sendo a única hóspede naquele carnaval e o que era amizade, transformou-se em algo a mais.

No meio do bloco, rolou o primeiro beijo. As noites eram repletas de conversas sobre a vida, política, viagens e aspirações. O carinho aumentou em poucos dias e planos de novos encontros foram feitos. Ela, sonhadora como era, imaginou milhares de previsões.
Até que, no meio de uma das conversas reveladoras, após um dia inteiro de cervejas e marchinhas de carnaval, ele confessou que ainda estava apaixonado pela ex. Um banho de água fria nas expectativas dela.

Mas, amiga que era, ela o incentivou a conversar e resolver a situação dele, que se ele gostasse da ex, era melhor demonstrar isso. Naquela noite, ela até chorou um pouquinho – efeito do álcool, claro.

Depois, nenhum dos dois teve mais coragem de tocar no assunto. Foi inevitável. Só que a amizade (ou cordialidade?) continuou pelo último dia de folia. Não se viram mais desde então. E ele já até postou foto com a ex, agora atual, na praia, poucas semanas após.

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Por água abaixo…

De última hora, a garota recebeu o convite de uma amiga para ir a um pizzada vegana em uma casa autônoma anarquista. Ela estava solteira há poucos meses e tinha uma ansiedade em fazer todos os programas divertidos possíveis. A madrugada já tinha outro destino, uma balada de música brasileira. Pois bem, uma noite cheia e arriscada já que os rolês eram em cidades diferentes, mas ela estava no gás.

Chegando na pizzada, seus olhos se cruzaram com um cara. Gato, cabelo de anjinho, um belo sorriso. Conversa vai e vem, descobriu que o cara tinha o mesmo nome do ex (Ouch!), e acabou levando ele de companhia para a balada. A outra amiga não curtiu nenhum pouco, mas ela aproveitou a festa com ele. Um grude: depois da balada, dormiram juntos, e foram para a Feira Anarquista que acontecia em São Paulo. Ele tinha vindo do Rio de Janeiro só para participar desse evento.

O grude foi tanto que depois de algumas horas separados, eles fizeram o clássico encontro na catraca do metrô pra dar aquele beijo de despedida. Ficou no ar o convite de visitá-lo no próximo feriado. Continuaram a conversar por mensagens, com vocativos como ‘meu bem’, que enchiam o coração dela. Reafirmaram a visita e ela ficaria na casa dele.

A paixão já estava instalada: o cara era gato, militante, inteligente e bom de papo. Antes de ir para o destino final, a garota foi passar o feriado com amigos em Ilhabela. Estava com a pulga atrás da orelha e não tinha comprado a passagem para o Rio de Janeiro, afinal, o cara não respondia mais às suas mensagens e nem tinha sequer lhe dado seu endereço. No domingo à noite, faltando poucas horas paras as amigas embarcarem para São Paulo, ela decidiu comprar a passagem de volta para casa. O cara foi respondê-la apenas semanas depois com a desculpa que o celular tinha caído na água, quando ela o encontrou no Facebook e mandou uma mensagem. O pior é que ela descobriu navegando nas redes que ele era casado.

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Cuba não tem a ver com nenhuma das minhas histórias, mas me identifiquei – e acho que todas aqui – quando me vi na “Rua da Amargura”

PS: todas as “histórias de amor” estão sem identificação e nem é (só) pra preservar nossa identidade, mas também dos embustes homens envolvidos nessas histórias, que não vamos expor por razões éticas e também para não dar ibope para quem não merece. Mas, para quem quiser brincar de tentar adivinhar, participaram deste texto: Amanda do blog As Viagens de Trintim, Fernanda do Tá Indo Pra Onde?, Mariana do Quase Nômade, Luciana do Let’s Fly Away e Thaís do Mulheres Viajantes.

Para ler ouvindo:

Foto principal: Ruth Archer por Pixabay

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