“Ganhei mais autoconfiança, autocuidado e resiliência” – por Carolina Domingues

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“Se eu recomendo viajar sozinha?

Uma das minhas grandes premissas de vida: viajar é um negócio tão bacana que em qualquer modalidade, solo ou em grupo, vale a pena e cada centavo investido. Tanto que, sempre que uma amiga ou amigo diz que não vão viajar porque não tem companhia, eu aviso: faça uma viagem solo, uma vez na vida que seja, e me fale na volta. Até agora a aprovação é de 100%… rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs

Meu nome é Carolina, tenho 37 anos, sou revisora de textos, roteirista e amo viajar tanto quanto gosto de cinema, cachorros e batata.

Por questões financeiras e também por falta de tempo, só comecei a me arriscar a viajar de verdade depois de terminar a faculdade e ter condições financeiras para me planejar. Tinha 30 anos e, em uma conversa com uma colega de trabalho, ela me disse: você fez alemão na faculdade, não é? Pensa em conhecer a Alemanha? A frase foi simples, mas o impacto foi grande. Voltei pra casa pensando nisso e comecei a procurar o que seria necessário fazer para realizar este sonho.

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E tudo foi ganhando corpo e saiu do plano das ideias. Pesquisas sobre hospedagem, roteiros de viagem, documentação, passagem, dicas, tudo foi sendo listado. E sendo pago aos poucos, ao longo de um ano e meio. Deu tão certo que fui para a Europa com a viagem paga antecipadamente. E fiz praticamente tudo sozinha. Inicialmente era somente um país, mas eu percebi que poderia incluir mais lugares e conheci 5 capitais: Amsterdã, Berlim, Roma, Paris e Londres.

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Ao longo do tempo, quando algumas pessoas sabiam dos meus planos, diziam que eu me daria mal, afinal uma mulher negra viajando sozinha só poderia ser vista ou como suspeita ou alvo-fácil. Sim, muita gente me disse isso… Junto com “mas seu marido deixa você viajar sozinha?”, como se o casamento envolvesse obedecer ordens e desejos do outro… Era visível o espanto quando contava que meu marido na época me incentivou muito na realização deste sonho.

Mesmo com este tipo de opinião, preferi arriscar e conferir eu mesma se era realmente este bicho de sete cabeças. Se tudo corresse bem, maravilha! Se algo saísse errado, vira lição e história pra contar.  E fui, com cara, coragem, medo, com tudo. Era minha primeira viagem sozinha, minha primeira vez em um avião, minha primeira vez fora do país. Muita novidade junta e uma vontade enorme de ter novas experiências.

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Teve perrengue? Teve. E de vários tipos: polícia no aeroporto pedindo pra revistar minha mala e tentando me intimidar, perdi meu voo de Berlim para Roma e tive que me reorganizar em tempo recorde, teve mala sendo levada por intermináveis escadarias, teve medo de sair sozinha em algumas cidades.

Mas também senti um orgulho e felicidade imensos cada vez que eu chegava em uma nova cidade, cada vez que eu conseguia fazer as coisas com autonomia. E isso foi a parte mais incrível: a coragem de me permitir realizar e ter novos conhecimentos. Aguçou demais a minha curiosidade.

Já me achava muito independente, corajosa, mas esta viagem foi um salto gigantesco. Viajei por 32 dias, mas o sentimento interno é que havia viajado por meses, tamanha foi a intensidade da experiência. Ganhei ainda mais autoconfiança, autocuidado e resiliência. Confiar que as coisas podem e vão dar certo, que eu sou responsável por mim e que uma companhia não é, por si só, capaz de evitar que problemas aconteçam e que se algo não sair conforme o planejado, que sou capaz de manter a calma e resolver sozinha e o principal, apreciar profundamente a minha própria companhia e estar atenta ao tempo presente. Nunca mais fui a mesma. E sempre que eu preciso me reorganizar mentalmente, passar um tempo sozinha em uma viagem me parece o melhor a fazer.

Fiquei craque também em pedir ajuda para outras mulheres, principalmente quando estou em uma praia e preciso aplicar protetor solar nas costas. Ou tirar uma foto bacanuda de corpo inteiro ou com algum monumento como plano de fundo, até porquê, viajando sozinha a gente desenvolve a habilidade de tirar boas selfies… hahahahahahahahaha E a bater papo com desconhecidos.

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Depois dessa vieram muitas outras. E, na maioria, era eu, meu passaporte, minha mala e meus cadernos para escrever meus diários de bordo. Vivi momentos incríveis, que me ensinaram muito sobre quem eu sou, sobre o outro, como o mundo me vê e como eu vejo o mundo.

E respondendo à frase do início do meu depoimento, se ainda resta alguma dúvida: sim, recomendo! Pra agora, se possível.”

Texto: Carolina Domingues
Fotos: Arquivo Pessoal

Já viajou sozinha e quer ver seu relato publicado aqui?
Me escreve no mariana@marianaviaja.com

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