Ilha de Paquetá – um dia no bairro mais bucólico e charmoso do Rio de Janeiro

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Um lugar onde os carros, motos ou ônibus não circulam. Onde só se anda de bicicleta ou a pé. Onde o silêncio e a tranquilidade predominam. E não estou falando de nenhum lugarejo do interior, não, e sim do Rio de Janeiro. Eu sei, é meio utópico imaginar que isso exista. Mas assim é a Ilha de Paquetá, um bairro da cidade que realmente fica em uma ilha a cerca de 15 km, com acesso feito através das barcas que saem da Praça XV.

É engraçado (mas não no sentido cômico) como a maioria dos cariocas parece não valorizar tanto esse cantinho. Eu mesma, quando cheguei ao Rio, nunca tinha ouvido falar e passei muito tempo assim. Nem lembro como foi que soube da existência da Ilha de Paquetá, mas, desde que soube, coloquei na cabeça que gostaria de conhecer. Por ser bonitinho, por ser um passeio turístico bacana, mas, principalmente, pela curiosidade de estar naquele lugar que parecia proporcionar uma verdadeira viagem no tempo…

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Só que eu acabava nunca indo. Não sei, eu me programei algumas vezes, mas não rolou. Até que no réveillon de 2015 coloquei na minha lista de metas: este ano vou conhecer Paquetá e Nova York. Riram de mim, claro. Colocar como meta um lugar que está aqui “do lado”? Como ir a Nova York era mesmo mais complexo, entrou primeiro na lista de planejamento e logo foi concretizado. Aí voltei, criei o blog, o ano passou, outros anos se passaram, a vida seguiu e só agora, já quase no final de 2017, é que fui, enfim, conhecer! E voltei apaixonada.

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A história da Ilha de Paquetá é antiiiga… O primeiro registro do local tem data de 1555. Mais tarde, Dom João VI passou a se hospedar por lá com frequência. E em meados do século XIX a ilha se eternizou com o lançamento do romance “A moreninha”, escrito por Joaquim Manoel de Macedo, cuja história se passava lá. Consta na Wikipédia que esse livro marca o início da ficção do romantismo brasileiro.

Bem mais tarde, em meados da década de 1970, a obra foi adaptada para a televisão por Marcos Rey, tendo a atriz Nívea Maria como protagonista no papel de D. Carolina, mas conhecida como Moreninha. Algumas cenas da novela foram gravadas em locais que ainda hoje são famosos e levam o nome que faz referência à personagem, como a Pedra da Moreninha, onde ela subia para esperar seu amado, e de onde se tem vista para a Baía de Guanabara com o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor ao fundo.

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Por mais que o tempo tenha passado, o estilo bucólico de Paquetá se manteve. As casinhas – algumas bem simples, outras mais charmosas – têm muros baixos, sinal de que a insegurança não anda por lá. Nas ruas, nada de pedras nem muito menos asfalto. São de saibro, uma espécie de areia mais grossa. O transporte, que antes era feito em charretes, foi substituído (para alegria dos cavalinhos) por bicicletas e carrinhos elétricos, que podem também ser contratados pelos visitantes.

Mas o legal mesmo é andar a pé apreciando cada cantinho e curtindo o ritmo tranquilo que o lugar transmite, imaginando como deve ser a vida por lá…Foi o que fiz em um bate e volta.

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Ilha de Paquetá: o que fazer

Saí do Rio – na companhia da Marianne do blog Despachadas e da fotógrafa Lu Mattos – na barca de 8h30. Chegamos lá já por volta de 9h30. Quem não tiver tomado café da manhã ou quiser reforçar a dose, logo à direita há uma padaria.

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A extensão total da Ilha de Paquetá é de 1.2 km quadrados, então não é complicado percorrê-la. Na região da Praça Pedro Bruno (onde acontece o embarque/desembarque), pela orla, um pouco à esquerda, fica a Casa da Moreninha, onde parte da novela foi gravada. Vale uma paradinha bem rápida só para uma foto. A gente nem chegou a ir até lá (zoom, obrigada).

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A casa da Moreninha na novela

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Orla à esquerda da Praça Pedro Bruno

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Charrete Elétrica

Depois seguimos pela Praia dos Tamoios, que começa à direita da praça. Andamos por essa orla até a Praça Alfredo Ribeiro dos Santos, onde fica o Preventório Rainha Dona Amélia, que funcionou (acho que ainda funciona) como internato para crianças.

Nesse trajeto alguns pontos em destaque: o Canhão de Saudação a Dom João VI, a Árvore Maria Gorda (um baobá centenário que promete sorte a quem der um beijo (dei, claro), e o Parque dos Tamoios, onde há uma estátua em homenagem ao compositor Carlos Gomes, que frequentava saraus na ilha.

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O canhão que saudava a chegada de D. João (1808 – 1821)

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O baobá da sorte e a estátua de Carlos Gomes

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Parque dos Tamoios

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O mar visto do Parque

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Finalzinho da Praia dos Tamoios

Do Preventório há duas possibilidades: seguir para outra praia ou ir por dentro, que foi o que fizemos. De lá entramos em uma ruazinha (Cerqueira e, depois, Feliciano Borges), com uma pausa (a primeira de muitas) para tomar uma água e várias para, mais uma vez, olhar/fotografar alguns lugares fofos pelo caminho.

Depois chegamos à Praia dos Coqueiros, também conhecida como Praia Pintor Castagneto, que tem alguns barquinhos de pescadores e fica do lado oposto à dos Tamoios.

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Uma ruazinha pelo caminho…

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Praia dos Coqueiros

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Seguindo pela Praia dos Coqueiros andamos pela orla até chegarmos à Praça de São Roque, o padroeiro da ilha. Esse local é bem a cara da bairro: um coreto e uma igreja (na verdade uma capela, construída em 1698) que só abre uma vez na semana, para a missa aos domingos pela manhã.

Tudo isso à beira mar, com mais alguns barquinhos. De lá se tem uma vista para algumas montanhas da região serrana do Rio de Janeiro.

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Igreja em homenagem ao padroeiro da ilha

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Praça de São Roque

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O mar com as montanhas ao fundo

Pertinho da praça, no finalzinho da rua, fica a Casa de Artes de Paquetá, um lugar que adorei! A construção é bem bonita, no fundo tem uma parte inspirada no estilo do arquiteto catalão Gaudí. Além de uma extensa programação cultural, com aula de música para crianças, eventos literários e apresentação de chorinho no primeiro domingo do mês.

E tem um restaurante com mesinhas externas no meio das árvores. Almoçamos lá e o prato individual é bem farto – dependendo do quanto se come, dá para dividir.

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Casa de Artes

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Mesinhas do restaurante

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Meu almoço

Da igreja, pela Rua Padre Juvenal, se chega à Praia da Moreninha, onde, no canto, está a Pedra da Moreninha, a tal que ficou famosa por causa do livro/novela. O acesso ao topo da pedra é feito por uma escada de madeira e uma pequena ponte, bem tranquilo, nível “até eu consegui”.

Na outra ponta dessa praia fica a Ponte da Saudade e a Pedra dos Namorados, que tem uma lenda, alguma coisa que o casal joga uma pedrinha de costas em cima da pedra ou algo do tipo. Como não é meu caso, nem me liguei. 😛 O que reparei foi na pedra em si e em várias outras similares, também arredondadas, porém menores. São os chamados “matacões”, grandes rochas que “afloram” na superfície.

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Ponte da Saudade

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Pedra dos Namorados e outros “matacões”

Dali começa a Praia José Bonifácio, onde há pedalinhos que podem ser alugados e onde fica, também, a Casa de José Bonifácio. Político e um dos nomes mais importantes na Independência do Brasil, foi preso e exilado nesta casa durante muitos anos. Hoje ela é tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), mas não é aberta a visitação.

Essa praia termina no Parque Darke de Mattos, cheio de verde, banquinhos e sombra. Ótimo para sentar e dar uma descansada. Quem tiver ânimo (não foi o meu caso), pode subir até o Mirante do Morro da Cruz, mais um local com vista panorâmica da Baía de Guanabara.

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Pedalinhos coloridos

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Minha vista enquanto descansava num banco do parque

E por falar em Baía de Guanabara… a localização de Paquetá faz com que algumas de suas praias, embora lindas, não são próprias para banho. Mas há outras que são, como Moreninha, José Bonifácio e a que fica em frente à Casa das Artes.

Depois de toda essa andança, retornamos pelo mesmo caminho até chegarmos de novo à Ponte da Saudade para assistirmos ao pôr do sol, que é um espetáculo. E voltamos correndo (quase que literalmente) pela Rua Furquim Werneck até a Praça Pedro Bruno, para embarcarmos na barca de 18h30. Cada trecho da barca custa R$ 5,50 e os horários podem ser conferidos no site.

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Espetáculo para fechar o dia! #semfiltro

Esses são os pontos principais. São tantos lugarezinhos tão bonitos, as praias, pedras, árvores, vez por outra uma bicicleta ou uma pessoa passando…

E demos sorte de ser um dia de tempo superaberto e céu azul, daqueles que favorecem qualquer cenário. Foi me dando uma vontade de fotografar tudo! Eu nem tinha levado câmera, mas aí a Lu me emprestou uma dela, que usei atéeee a bateria acabar, aí a Mari me emprestou uma dela que usei até virmos embora.

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Meninas, obrigada pela cia e pelas câmeras =)

Para quem, como nós, vai conhecer a Ilha de Paquetá em um dia, esse é um roteiro básico. Outra opção, com mais tempo, é se hospedar em alguma pousada e curtir com mais calma. Ou, ainda, fazer alguns passeios pela manhã e, na parte da tarde, relaxar em uma praia – com águas calminhas, assim como tudo por lá. Certeza que eu vou voltar!

Para ler ouvindo:

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