
Portugal é um daqueles destinos que a gente não esquece. Já escrevi aqui no blog sobre o fim de semana que passei no Porto, sobre o Castelo de São Jorge em Lisboa, sobre os pastéis de Belém e os bate e voltas para Sintra, Fátima e Coimbra. Cada viagem deixa um pedaço diferente guardado. E o aprendizado começa muito antes do momento em que o avião pousa em solo português.
Começa, na verdade, na hora de planejar o voo.
O voo transatlântico não é obstáculo, é parte da viagem
Quem vai do Brasil para Portugal enfrenta um trecho de cerca de dez horas de avião. Eu já ouvi muita gente reclamar disso como se fosse um inconveniente a superar. Mas depois de algumas viagens longas, mudei a forma de encarar esse tempo. A bordo já dá para começar a desacelerar. Para começar a fazer a transição entre a rotina de casa e o ritmo diferente que Portugal tem.
Quando decidi reservar viagem para Portugal, o que mais ajudou foi ter alguma flexibilidade de datas. Mudar o embarque em um ou dois dias pode mudar bastante o valor final. E ir direto ao site da companhia aérea costuma trazer mais clareza sobre o que está incluído: bagagem, refeição a bordo, escolha de assento.
Dependendo da cidade de partida, as opções de rota mudam bastante. Quem sai de São Paulo ou do Rio tem acesso a voos com parada mais curta. Quem parte de outros estados geralmente precisa combinar um voo doméstico com o trecho internacional, o que alonga o percurso e exige mais atenção na hora de montar o roteiro de viagem.
A Air France, por exemplo, voa do Brasil com escala em Paris, no Aeroporto Charles de Gaulle, antes de seguir para Lisboa. Essa rota tem um bônus que vale considerar: a escala pode virar um programa em si. Em algumas viagens, parar um dia em Paris no caminho de ida ou de volta deixa a experiência ainda mais completa.
Por que Lisboa e Porto justificam o voo longo
Na ida a Portugal, percebi que Lisboa e Porto são cidades completamente diferentes entre si, mas igualmente marcantes. Lisboa é maior, mais histórica no sentido visual da palavra. O Castelo de São Jorge, que fica na parte mais alta da cidade, é um dos lugares que mais me impressionou. A vista de lá de cima, com Lisboa inteira espalhada até o Rio Tejo, ficou guardada. Dá para passar horas nas muralhas só observando.
Porto tem outro ritmo. É mais compacta, mais intensa nas cores e na textura. Fui lá um fim de semana, com chuva em boa parte dos dois dias, e mesmo assim voltei apaixonada. O Cais da Ribeira, as casinhas coloridas às margens do Rio Douro, a Estação de São Bento com seus 20 mil azulejos nas paredes, a Livraria Lello com a sua famosa escadaria sinuosa. E a francesinha, claro, que é um sanduíche farto e generoso, com bife, linguiça, queijo derretido, ovo frito e molho picante, que ninguém que vai ao Porto consegue evitar.
E ainda há o que está entre as duas cidades. Sintra, com os palácios e a neblina permanente. Coimbra, com a universidade centenária. Fátima, onde parei para almoçar no caminho com um guia e comi um dos almoços mais portugueses que já tive.
O planejamento faz diferença
Uma coisa que aprendi na prática é que deixar o voo para o final do planejamento é um erro comum. A lógica parece ser: primeiro monto o roteiro, depois procuro passagem. Mas os preços variam muito dependendo da época e do quanto antes se compra, e isso acaba influenciando em quais datas e por quanto tempo se consegue ficar.
Vale também pensar no aeroporto de chegada. Se o roteiro começa no Porto e termina em Lisboa, ou vice-versa, chegar e sair por cidades diferentes pode ser mais eficiente do que voltar ao ponto de partida para pegar o voo de volta.
O que guardar na memória (e o que guardar na mala)
Cada viagem a Portugal deixa alguma coisa diferente em cada pessoa. Em Lisboa, a impressão que ficou foi de entender, pela primeira vez de verdade, a diferença de escala histórica entre Brasil e Europa. O Castelo de São Jorge começou a ser construído no século XI. Enquanto a gente pensa nas cidades históricas brasileiras do ciclo do ouro, o Castelo já existia há séculos. Esse pensamento me acompanhou por toda a viagem.
Do Porto, ficou a francesinha no frio, a travessia da Ponte D. Luís I a pé, e a descoberta de que a cidade tem a ver com a história da minha família, já que foi de lá que o bisavô do meu pai saiu, aos 14 anos, rumo ao Brasil.
Dez horas de Atlântico são dez horas para chegar mais devagar, para ir preparando o ritmo para o que vem depois. E o que vem depois, quando o destino é Portugal, costuma valer cada minuto do voo.





