Não há nada de errado em não viajar – e isso não devia ser motivo de vergonha

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Dia desses li uma matéria que falava sobre uma nova tendência: “férias fake”. Até repercuti nos stories porque fiquei meio chocada. Era sobre pessoas que não estão viajando, mas que postam fotos como se estivessem para enganar aos próprios amigos. Gente, pra que? De verdade, eu não consigo entender.

A matéria falava também que o “fator instagramável” de um hotel (ou seja, o quanto ele pode render fotos bonitas para o Instagram) é o que mais de 40% dos brasileiros levam em conta ao escolher uma hospedagem. Fiquei chocada de novo. Ok, talvez eu seja meio inocente por nunca ter pensado nessa hipótese. Mas não consigo entender isso de que o aparecer/mostrar é (se tornou?) mais importante do que vivenciar a viagem, do que viver.

Interessante também porque algumas pessoas comentaram que ficam em hotéis tão simples que nem postam fotos… e eu acho que a gente cai no mesmo ponto, achando que o simples não “merece” que uma foto seja postada, mas o “instagramável”, sim. Se é o hotel que você pode pagar, se é onde você pode ficar, qual é o problema? Qual é o problema em ser real? Em ter uma vida sem glamour? Me sinto muito confusa no meio disso tudo!

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E pelo fato de ter o blog e de produzir conteúdo de viagem, tenho, sim, uma autocobrança. Vejo outros blogueiros viajando numa frequência maior (às vezes muuuito maior) que a minha, até mesmo não blogueiros, e, confesso, já me senti uma farsa, uma fraude. Como se minha vida não estivesse condizendo com o que eu mostro por aqui.

Mas logo lembro – e repito para lembrar a mim mesma – que minha escolha sempre foi focar mais em experiências que em destinos, que vivo dizendo que é possível viver isso até na própria cidade ou, ainda, que nem é preciso sair de casa. Seria o máximo poder fazer a Marquezine e postar um “Noronhe-se”? Seria. Mas tá tudo bem também passar as férias lendo, vendo filmes, dormindo, ainda que esse não seja o nosso desejo. Entedie-se!

Só que, mais que tédio, isso meio que desperta uma vergonha, né. As pessoas perguntam pra onde eu vou, qual minha próxima viagem, muitas vezes não tenho o que responder. Ou, quando respondo que não tenho nada programado, se for pelo whatsapp já coloco o emoji do macaquinho tampando a cara. Olha que loucura!

E sei que acontece com muita gente, independente de ter ou não blog. Saiu de férias, parece que é obrigatório ir para algum lugar. Você já deve ter passado por isso. Como se tivesse algo de errado com o não viajar. 🙁

Claro que a vontade de viajar é legítima, que querer estar em novas cidades faz parte, que todo mundo sonha se hospedar em um hotel maravilhoso, que é aceitável aquela “invejinha boa” dos amigos que estão viajando. É normal se sentir o próprio Chaves no episódio em que a Vila toda vai para Acapulco (socorro, como eu chorava!). Somos humanos, oras.

Mas acho que é preciso ter cuidado pra não cair em uma questão que até já abordei em outro texto, sobre viajar ter se tornado uma espécie de competição. Essa sensação de estar numa gincana constante em que a gente tem que ir, tem que conhecer mais países que o outro e, conhecendo esses países, tem de ir ao lugar x ou ao lugar y para poder se diferenciar, a gente tem de estar na praia no verão – ou fugindo da praia, mas em outro destino. Tem que postar fotos mais bonitas, mesmo que para isso precise de muitos filtros ou de resgatar uma foto antiga. E, agora, pelo visto, tem que se hospedar em um hotel “instagramável”. Meu Deus. Eu não aguento mais!

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Pensei muito nisso no fim do ano passado, um ano em que praticamente não viajei. Um ano em que minha vida virou de cabeça pra baixo e depois virou de cabeça pra cima de novo, um ano intenso e tenso, enfim… Via as retrospectivas dos outros e sabia que não teria nada para postar em uma retrospectiva, mas resolvi fazer e chamar de “Mariana Não Viaja”, abordando exatamente isso.

E daí eu transformei a vergonha em orgulho. Orgulho de estar falando a verdade, de estar jogando limpo, de não estar, como tantos, fingindo que estou viajando. Prefiro mostrar que às vezes falta grana, às vezes surgem problemas, às vezes simplesmente não dá. Não dá pra mim, não dá pra você. E tá tudo certo. Vem, repete junto comigo: tá tudo certo, não é preciso ter vergonha! A gente precisa parar com isso ou, pelo menos, aprender a não deixar nos fazer mal.

Até porque, muitos dos que posam (e postam) sua vida viajando pelo mundo 100% do tempo (ou quase) , o fazem porque têm por trás uma base financeira e/ou familiar que lhes permite viver isso. Nada contra, inclusive quem me dera! 😛 Mas… embora eu tenha o privilégio de poder viajar, a realidade aqui é outra. E, por mais que viajar esteja no topo da minha lista de prioridades de lazer, primeiro eu tenho que bancar minhas despesas básicas (olá, boletos) e cumprir minhas obrigações.

Por isso não gosto de ter metas de viagem. Tenho sonhos, destinos que quero conhecer. Mas sem colocar prazo, sem colocar números. Tenho uma combinação comigo mesma que é não transformar o prazer em meta nem a vida em um cronograma a ser cumprido!

Outros textos meus mais ou menos nessa mesma linha:
A patrulha da viagem perfeita
Por menos 'tem que' e mais experiências próprias

Mas eu sei que é complicado lidar com nossas próprias emoções, com os próprios desejos. É complicadíssimo lidar com nossas frustrações, é inevitável não fazer comparações – que sempre existiram e acho até natural, mas se intensificaram de um jeito meio nocivo, talvez por o Instagram ter virado esse poço de exposição e de esnobismo. Não só os de artistas e “influenciadores”, mas os do seu vizinho, o da colega de academia, da conhecida de infância que você nunca mais viu, e os blogs muitas vezes também (talvez um dia eu faça um texto sobre “bastidores”, sobre como é tudo muito mais difícil do que parece).

São coisas que me desanimam, mas, por outro lado, venho cada vez mais buscando exatamente a contramão. Quando ouço alguém dizer que as redes sociais são ruins, que a internet é tóxica e eu sempre respondo que tá usando errado. Usa de novo! Usa para seguir quem te inspira, para seguir quem você se identifica, para buscar quem mostra coisas que agregam, para pesquisar algo que seja positivo para sua vida. Tá cheio de gente bacana! Dê um tempo do que não faz bem ou elimine de vez. Não fique sofrendo por causa disso. Cuide de você, regue seu jardim. E lembre-se sempre que a grama do vizinho pode até parecer mais verde, mas quem te garante que não é grama artificial?

Para ler ouvindo:

* Foto: Pixabay / Gifs: Giphy.com

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