Viajar sozinha para o Rio de Janeiro é perigoso?

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O Rio de Janeiro é a principal cidade turística do Brasil, mas as notícias constantes de situações de violência fazem com que muita gente fique com receio. Soma-se a isso as inseguranças que estão sempre presentes na decisão de viajar sozinha. O resultado: muitas mulheres acreditam que viajar sozinha para o Rio de Janeiro é perigoso e acabam perdendo a oportunidade de conhecer um dos lugares mais incríveis do mundo. Eu, que morei (sozinha) por lá durante 10 anos, gosto de compartilhar minhas impressões porque no fim das contas o “monstrinho do medo” é muito menor do que parece ser.

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A violência no Rio

Se olharmos os rankings de cidades mais violentas do Brasil, o Rio de Janeiro sequer aparece entre as primeiras. O que não significa que não seja violenta. É, sim, isso é um fato. A questão é que, devido à imensa visibilidade que a cidade tem, tudo o que acontece lá acaba ganhando uma proporção maior – e isso vale tanto para as coisas boas como para as coisas ruins.

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Imagem de LhcCoutinho por Pixabay

Para quem já mora em outras cidades grandes, principalmente capitais, onde a segurança pública infelizmente é um problema comum, os cuidados são os mesmos do dia a dia. Para quem vive em lugares mais tranquilos, é bom reforçar a atenção. Mas sem paranoias.

Outro ponto é que o turista, de maneira geral, não precisa passar por situações que quem mora na cidade acaba enfrentando no cotidiano. Isso faz com que o Rio de Janeiro seja mais seguro para quem está visitando do que para os moradores. Afinal, você pode escolher onde ficar e onde ir – e por um período limitado. Essas escolhas (que quem mora na cidade nem sempre tem) reduzem os riscos.

Sozinha no Rio de Janeiro

Antes mesmo de viajar sozinha, eu já havia me mudado sozinha para o Rio de Janeiro. E lá comecei a fazer alguns passeios mesmo sem ter companhia. Era uma moradora-turista, não conhecia tanto da cidade. Mas confesso que meu receio sempre foi muito maior em relação a perceberem que eu estava sozinha, a vergonha de estar sozinha, do que exatamente o medo de acontecer alguma coisa de fato. Acho que talvez porque eu já estava acostumada com o dia a dia de sair, pegar ônibus, trabalhar e outros afazeres.

E a verdade é que, contrariando o imaginário de zona de guerra com tiroteios e balas perdidas voando pelas ruas o tempo todo, o Rio de Janeiro está sempre lotado de moradores e turistas nas praias e bares. Na imensa maioria dos casos nada acontece. As pessoas, muitas vezes sozinhas, trabalham, passeiam, se exercitam, estudam, se divertem e voltam inteiras para casa. Mas, como diz uma velha frase, prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

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Dicas práticas de segurança

– Evite usar cordões/correntinhas no pescoço e também relógios. Prefira andar sem eles.

– Não fique com celular na mão enquanto estiver na rua, principalmente se estiver andando ou algo que possa te deixar mais desatenta.

– Se precisar consultar um mapa ou olhar qualquer coisa, entre em algum estabelecimento – uma loja, farmácia, padaria, o que for.

– Ao fotografar, verifique se há pessoas por perto e tire a foto sempre de forma rápida, não fique dando bobeira com o seu aparelho.

– Busque passeios em grupo. É uma forma de conhecer lugares de forma segura, com o guia que sempre enriquece com informações, e uma oportunidade de estar com mais pessoas. A Sou+Carioca tem tours maravilhosos.

– Ao usar o transporte público, pesquise antes sobre o local onde vai descer e como se deslocar a partir de lá. E, sempre que possível, prefira o metrô.

– Evite andar por ruas onde não tenha nenhum comércio, pois são mais vazias, principalmente à noite.

– Quando chamar um táxi ou Uber, espere dentro do local onde você está (seja prédio, hotel, restaurante, museu). Só saia quando o carro já tiver chegado.

– Prefira bolsas que você possa usar traspassadas no corpo ou pochetes. E evite mochila nas costas.

– Ao sair, leve pouca coisa de valor: um documento, cartão e algum dinheiro. Não é preciso andar com a carteira toda. E é bom ter algum dinheiro de reserva no hotel, preferencialmente na mala.

– Tente não dar “pinta de turista” e ande como se estivesse certa de onde está indo, mesmo que não esteja. Para pedir informações, vale a mesma dica do celular: entre em um estabelecimento.

– Pesquise bem sobre sua hospedagem e prefira ficar em regiões mais movimentadas, próxima de transportes, com deslocamento fácil para os lugares que pretende visitar. Vale a pena gastar um pouco mais em nome da sua segurança.



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Lugares para visitar ao viajar sozinha para o Rio de Janeiro

Pontos turísticos

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Imagem de Nuno Lopes por Pixabay

O Cristo Redentor e o Pão de Açúcar são dois clássicos e dificilmente alguém passa pelo Rio sem querer conhece-los. Como o preço não é barato, pode ser preciso escolher entre um e outro. Seja qual for a sua escolha, saiba que estará em segurança.

No Cristo, você pode ir de metrô até o Largo do Machado, pegar um táxi/Uber até a entrada do Corcovado e subir de trenzinho. Ou pegar as vans que saem de Copacabana ou do Largo do Machado.

No Bondinho, há ônibus que vão até a Urca e, de lá, é só embarcar. Verifique antes nos respectivos sites e compre seu ingresso com antecedência. E não faça os passeios muito no fim da tarde, para voltar com o dia ainda claro.

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Centro e Santa Teresa

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O centro do Rio de Janeiro também tem muitos pontos turísticos, como o Theatro Municipal, o Real Gabinete Português de Leitura, o CCBB e o Boulevard Olímpico, onde ficam atrativos como o Museu do Amanhã. Tem também a Escadaria Selaron, os Arcos da Lapa e o Bondinho de Santa Teresa, que sai do centro (perto da estação Carioca), passa sobre os Arcos e vai até o bairro, que é uma graça.

Tente fazer esses passeios durante a semana. Assim como qualquer região central de cidades grandes, o movimento é maior nesses dias por ser uma região de prédios comerciais. Mas, se tiver apenas o fim de semana, vá no sábado pela manhã, quando ainda há mais gente circulando. Ou com um passeio guiado.

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Praias

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Imagem de eacuna por Pixabay

É claro que elas também não podem faltar em um roteiro pelo Rio de Janeiro, principalmente Ipanema e Copacabana que são as duas mais famosas. Durante o dia ambas são movimentadas – e também o Leblon, que fica na sequência de Ipanema. Se quiser visitar a praia da Barra da Tijuca, que fica um pouco mais distante, vá de metrô.

Na divisa de Copacabana e Ipanema, dois programas bacanas: o Forte de Copacabana (onde você pode também tomar um café nas mesinhas com vista para a praia) e a pedra do Arpoador, para assistir ao pôr do sol. À noite, a orla de Copacabana é uma opção melhor, pois fica bem cheio, com seus muitos quiosques no calçadão, além de bares e restaurantes na avenida da praia.

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Parques

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Os programas ao ar livre e em áreas verdes também valem muito a pena. O Jardim Botânico é um dos principais pontos turísticos, tem acesso fácil de ônibus e acho uma região tranquila. Próximo fica também a Lagoa Rodrigo de Freitas, que é bem extensa, então é bom ter atenção e escolher locais onde há quiosques. No Palácio do Catete, além do jardim maravilhoso tem também o Museu da República.

E, ainda, o Aterro do Flamengo, uma das minhas paixões (morei na região por muito tempo). Pela manhã e nos fins de semana é sempre movimentado e fácil de chegar de metrô. Tanto no Aterro como na Lagoa, uma boa dia é alugar uma bicicleta (há vários pontos espalhados) e pedalar.

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Vida noturna

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Imagem de alexandreest por Pixabay

Se depois de turistar o dia todo ainda sobrar energia para uns bons drinks, a Lapa é meu lugar preferido, além de ser um clássico da noite carioca. Sugiro pegar um táxi ou Uber e saltar na esquina da Rua Mem de Sá com Rua do Lavradio. Por ali há inúmeros bares, alguns com música, e também muita gente nas calçadas.

Eu acho o Rio muito legal nesse sentido porque tem pessoas de todos os estilos, é mais fácil não se sentir desconfortável por estar sozinha. Outra opção, caso não esteja com ânimo para se deslocar, é ver um barzinho perto de onde você estiver hospedada.

Afinal, viajar sozinha para o Rio de Janeiro é perigoso?

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Depois de todas essas dicas e informações, você já deve ter entendido que a resposta para esta pergunta é: não. O receio vai existir, eu sei. Mas uma frase que li no site Viaje na Viagem e que reproduzo aqui: “Não deixe de ir ao Rio por causa de um problema que também existe na sua cidade”. Ou, como a música da Gal Costa: atenção, tudo é perigoso, tudo é divino maravilhoso!

Muitas vezes quando me perguntam sobre os medos ao viajar sozinha, eu comento que são medos que já sinto todos os dias. Isso, de alguma forma, acaba me encorajando. Porque não é uma situação exclusiva da viagem, embora eu entenda, claro, que estar em território desconhecido nos deixe mais vulneráveis.

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Mas, se o que te impede é esse pensamento de que viajar sozinha para o Rio de Janeiro é perigoso, acho que com essas dicas já dá para começar a reconsiderar a possibilidade de visitar a cidade maravilhosa. Esteja atenta e forte. E boa viagem!

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