Medo de viajar sozinha: quais os mais comuns e como lidar com eles

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O medo de viajar sozinha é um assunto recorrente entre as mulheres que têm vontade de viajar desta forma e até mesmo entre as que já viajam. E pode ser desde um medo mais “existencial”, como se sentir deslocada, até um mais concreto, como abuso e coisas piores. Há muitos tipos de medos e estamos cercadas por eles, não apenas quando se fala de viagem. É algo que cresce com a gente – mas não vou entrar nesse mérito agora.

Fato é que todas nós temos nossos medos, assim como temos, também, nossas coragens. Cada uma lida com os seus de uma forma. E acho difícil falar em encorajar porque as coisas não são simples como parecem. Não há uma regra ou uma receita pronta de como criar coragem. Mas listei aqui alguns dos medos comuns para a maioria das mulheres, com algumas dicas para lidar com eles, baseadas na minha própria experiência.

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Medo de viajar sozinha e sentir solidão

Um dos mais comuns e não só para mulheres, mas homens também, embora eu acredite que em menor escala. É natural do ser humano ter medo da solidão. Mas estar na própria companhia é solidão? Muito se fala na solitude, que é a privacidade, o estar sozinha por vontade própria. E é isso que a gente tem de buscar.

Mas esse não é um medo difícil de lidar, pelo menos eu acho. Porque é algo que dá para ser praticado no dia a dia. Sair sozinha para tomar um sorvete, fazer um lanche, um passeio qualquer, tudo isso vai ajudando a se acostumar a estar com você mesma. Até mesmo em casa, seja vendo um filme, lendo um livro ou não fazendo nada, mas estando bem sem precisar ter mais alguém. Acho que são aprendizados importantes independente de viagem. Outra dica que sempre dou é começar aos poucos, para lugares próximos, fazendo um bate e volta ou passando um fim de semana.

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Medo de viajar sozinha e não fazer amizades

É muito comum associar viajar sozinha com fazer amizades. Direto vejo gente falando de como é mais fácil, que dá para conhecer muita gente e tudo mais. E isso não é uma verdade absoluta. Porque fazer amizade – ou mesmo bater um papo com qualquer pessoa – depende também do outro e de uma série de fatores. É claro que existem algumas formas de ter mais contatos sociais, mas não são regras.

E, no fim das contas, esse medo cai mais ou menos no mesmo medo acima: e se eu ficar sozinha e não tiver ninguém para fazer os passeios comigo? Minha dica é buscar passeios em grupo. Não significa que vai fazer amizades, mas, pelo menos não vai estar sozinha. E outra coisa é não viajar com este objetivo. Ao invés de viajar sozinha achando que para aproveitar vai ter de conhecer mais gente, viaje sozinha ciente de que é você com você mesma e que pode ser bom assim.

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Medo de não conseguir se comunicar

Em viagens para o exterior, a questão do idioma deixa muitas pessoas tensas, especialmente quando estão sozinhas. E se não conseguir se fazer entender, se não conseguir comer, e outras coisas, são dúvidas constantes. Acho, sim, que noções de inglês ajudam bastante. E sugiro também aprender pelo menos um “com licença”, “por favor” e “obrigado(a)” na língua local.

Mas hoje, com aplicativos de celular, isso já nem é mais um problema. Há aplicativos de tradução, você pode escrever o que quer e mostrar para a pessoa ler. Ou até mesmo aplicativos que leem em voz alta no idioma escolhido. A tecnologia facilitou as viagens em muitos aspectos e este com certeza é um deles. Pode ir sem medo!

Medo de se perder estando sozinha

Novamente os aplicativos entram em cena para ajudar na locomoção. É possível baixar mapas ou acessar em tempo real, colocar o local onde quer chegar e seguir as orientações. Eu costumo ter sempre também um mapa impresso – pego no aeroporto ou na própria hospedagem. Ou até levo já impresso de casa, pelo menos da região onde vou ficar.

Eu entendo esse medo porque mesmo seguindo o mapa não tem como saber se uma determinada rua é mais perigosa. Mas acho que, em geral, com os aplicativos de mapas e os de transporte (especialmente no caso do metrô), é bem tranquilo de lidar. E pesquise bastante, peça dicas para funcionários da hospedagem, informação sempre ajuda.

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Medo de se machucar ou passar mal e não ter ninguém para ajudar

Eu não gosto nem de pensar nisso, mas eu penso. E eu sei que todo mundo – ou quase todo mundo – também pensa. Sim, pode acontecer. Ou pode não acontecer. O que eu acho é que é possível, sim, tentar evitar algumas coisas. Mas é preciso também estar prevenido para outras, levando os remédios que você costuma tomar, a receita (caso algum não seja vendido sem), itens para curativos rápidos, coisas assim.

Também é importante ter sempre um seguro viagem, que vai ser muito útil em casos de algo mais grave que demande atendimento médico ou hospitalar. E, se achar válido, deixe o contato da hospedagem com um amigo ou familiar e o contato desse amigo ou familiar na recepção da hospedagem. Prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

Medo de acontecer algo aqui com quem ficou

Medo de não me acharem para dar uma notícia, medo de receber uma notícia e não ter ninguém ali do lado para me dar um suporte, um apoio. Acho que esses medos “abstratos” são os mais complexos porque a gente fica preso no círculo do “e se…”

Nem sei se tenho exatamente alguma dica para dar, mas acho que entra naquele caso do “vai com medo mesmo”. Tem coisas que se a gente se prender, acaba nunca fazendo nada. Claro que se tem alguém doente ou algo na iminência de acontecer, tudo precisa ser pesado. Mas, no geral, se está tudo bem, vai! Tenho preferido fazer viagens mais curtas e acho que isso me dá alguma tranquilidade também.

Medo de ser julgada por viajar sozinha

Vira e mexe eu digo que o mais difícil ao viajar sozinha é o antes. É se planejar, se encorajar, ir! Depois que a gente já está lugar, tudo fica mais fácil. É só decidir aproveitar ou não. Mas, quando a gente ainda não foi, é sempre uma tonelada de comentários que só desestimulam. Um julgamento como se a mulher não pudesse ter esta independência de fazer o que quer, do jeito que quer. Já ouvi e ainda ouço tanta coisa…

Mas cheguei naquele ponto de pensar: estão pagando minha viagem? Não estão. Estão me dando algum dinheiro? Não estão. Então deixo que digam que pensem que falem. Ainda hoje, apesar de estarmos em 2021, a independência feminina é uma característica que ainda choca. Mas não tem nada de errado com a gente nem com a nossa vontade de viajar.

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Medo de viajar sozinha e sofrer assédio

Chegamos a um medo de viajar sozinha que é citado com frequência. Assédio, abuso ou coisas piores, a gente que é mulher bem sabe como é essa insegurança. E, estando em um lugar que não conhecemos, sozinhas, é, sim, uma situação de maior vulnerabilidade.

O que costumo dizer é que ninguém precisa viajar para ter esse medo. É algo constante na nossa vida todo dia, a cada passo. E não digo isso para amenizar, para dizer que não deve ser uma preocupação na viagem. Deve! E é! Mas o cuidado é basicamente o mesmo que a gente já tem no dia a dia, seja ao pegar um transporte, ao visitar um lugar diferente ou até um lugar banal. Porque o medo de assédio é a nossa realidade constante.

Medo de violência

Quando se fala em mulheres viajando sozinhas, o medo do assédio é sempre colocado em destaque. Mas há muitos outros tipos de violência – e não só especificamente contra a mulher – das quais também podemos ser vistas. Assaltos, roubos, entre outros.

Assim como no caso do assédio, é algo que de alguma forma a gente já lida no dia a dia. Então os cuidados permanecem. Mas a atenção deve ser redobrada, porque muitos lugares turísticos são propícios para isso. E nos não turísticos, principalmente quando vazios ou com pouca gente, também podem apresentar perigo. Converse na recepção da hospedagem, se informe sobre a região, os melhores lugares. E tome os cuidados de sempre, sem deixar nada à vista e tendo sempre atenção.

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Medo de não gostar de viajar sozinha

Faz parte. Viajar em grupo pode ser uma experiência ruim, em casal idem. Viajar sozinha também. Claro que é péssimo gastar dinheiro em uma experiência ruim. E uma viagem gera grandes expectativas, é a possibilidade de realizar um sonho, então não gostar acaba sendo realmente frustrante. Mas daí a deixar de ir por causa disso é outra história. Até porque, se for assim, a gente não faz nada.

Minha dica é escolher um destino que seja a sua cara! Sempre falo isso e parece até meio óbvio, mas é comum a gente seguir conselhos que dizem que o destino X ou Y são melhores, mas isso varia muito de pessoa para pessoa. E tente não criar expectativas muito altas. Liste o que quer conhecer, o que tem vontade de fazer, mas vá aberta a curtir, a aproveitar, sem ter que ficar necessariamente seguindo um roteiro pré-definido. Acho que facilita bastante para conseguir gostar mais.

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E é isso. Certamente há um ou outro medo de viajar sozinha que de vez em quando vai aparecer. Tipo pernilongo. A gente enfrenta, acha que acabou e de repente, do nada, opa, tem mais um, mais uns… Vamos lidando. Um passo de cada vez, um bom repelente, respira fundo e vai – mas vai depois da pandemia, tá! Nada de colocar sua saúde e sua vida em risco por alguns momentos de lazer.

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