Como se organizar financeiramente para uma viagem

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(Enquanto a pandemia do coronavírus não passar, fique em casa!
Deixe para viajar depois, quando for seguro).

Seja um destino internacional ou nacional, muita gente fica na dúvida de como se organizar financeiramente para uma viagem. Não sou a pessoa mais entendida de finanças, mas tenho minhas experiências perambulando por aí, geralmente com dinheiro mais contado, com gastos mais econômicos, então acho que minhas dicas podem ajudar.

Que fique claro que não são dicas de como juntar dinheiro ou como economizar para viajar. Tenho pé atrás com esse tipo de coisa porque quase sempre elas têm uma abordagem que não leva em consideração aquele ponto que eu sempre falo por aqui: o privilégio!

De nada adianta dicas do tipo “deixar de comer fora” para alguém que nunca come fora e, ainda assim, tem o orçamento apertado. Ou guardar 10% todo mês, quando nem os 100% são suficientes para os gastos básicos. O mesmo vale para aqueles esquemas de começar com 1 real por dia, 2 reais no segundo dia, até chegar a sei lá quantos reais no fim de um ano – conta que não cabe no bolso da grande maioria. Ou como viajar com pouco dinheiro. Pouco é quanto? Para quem? Não é simplesmente uma questão de se planejar.

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Portanto, cada um dentro das suas condições é que vai saber como vai funcionar melhor. Deixo essa parte de juntar o dinheiro com vocês. Então se você está pensando em viajar depois que acabar a pandemia, quando for possível novamente fazer turismo com segurança, de repente este pode até ser um bom momento para começar a sonhar e/ou se planejar.

E depois que já tiver grana guardada e vacina tomada e estiver sem saber qual a melhor forma de organizar o dinheiro para a viagem, aí sim dá para colocar em prática as minhas dicas!

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Como organizar financeiramente uma viagem

O primeiro passo é levantar uma média de custos para saber quanto custa a viagem que você quer fazer. As passagens devem ser compradas antes, claro. E, em seguida, já ciente de quantos dias vai ficar, é hora de reservar as hospedagens.

Reservando por sites como o Booking, por exemplo, na maioria dos lugares é possível dar apenas um sinal e pagar o restante somente quando chegar ao destino. Para isso será preciso deixar os dados do seu cartão de crédito, no qual esta entrada será cobrada. Uma vantagem é que até um determinado período antes da viagem é possível cancelar sem custos, caso haja algum imprevisto.

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Booking.com

Então fica mais ou menos assim:

– Pagar a passagem no ato da compra, seja a vista ou parcelada.

– Pagar a entrada na hospedagem.

– Anotar o valor restante da hospedagem, decidir se levará este valor em dinheiro ou se pagará no cartão.

Se for um destino internacional, é superimportante também fazer o seguro viagem, que vai permitir que você vá com mais tranquilidade, sem medo de imprevistos com a saúde e outros. Faça o seu (ou pelo menos um orçamento para ter uma ideia de valores):

Feito isso, é hora de anotar os possíveis gastos que terá no decorrer da viagem.

Calculando os gastos da viagem com:

Passeios

Comece pesquisando o que você pretende fazer no destino. Lembrando sempre que na maioria dos lugares há muitas opções para economizar, seja buscando passeios grátis ou dias com desconto em determinados programas.

É claro que não dá para ter um cálculo exato. Costumo fazer uma média e jogar para mais, afinal, melhor estar prevenida do que faltar.

O ideal mesmo seria fazer um planejamento do que fazer em cada dia, mas, caso não tenha o sol em capricórnio e isso seja complicado, faça pelo menos uma lista dos lugares que gostaria de ir. Hoje, com nosso querido amigo google, fica fácil achar os sites e os preços de cada um. Vá anotando tudo em uma planilha (ou no papel mesmo).

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Imagem de StockSnap por Pixabay

Alimentação

Depois pense também nas refeições, que em geral serão almoço e jantar/lanche. O café costuma estar incluído na diária (observe isso ao reservar) e para beliscar nos horários intermediários eu sempre levo umas bolachinhas e barrinhas de cereais de casa – ou compro no mercado ao chegar. Olha aí que dica boa para economizar na viagem!

Saber o preço de almoço/jantar/lanche é complexo porque isso é algo que em qualquer lugar varia muito para cada restaurante, para o que você vai comer. Mas tente pesquisar com alguém que já foi quanto custa uma refeição ou pense no seu limite de quanto estaria disposta a gastar. Isso para comidas do dia a dia. Se tiver algum restaurante mais chique, turístico, diferenciado que você queira conhecer – e que costumam ser mais caros – some separadamente o valor.

Eu às vezes me presenteio com um almoço ou jantar “melhor” e os demais faço em lugares comuns mesmo, que vou encontrando pelo caminho.

Transporte

O local tem metrô? Fica mais fácil! Muitos inclusive possuem tickets mais baratos quando comprados para um período mais longo, sejam três dias, uma semana, um mês. Assim você não precisa calcular quantos deslocamentos diários irá fazer.

Veja sobre a saída e chegada ao aeroporto, se será necessário pegar um táxi ou uber – pelos aplicativos já fica fácil calcular. Outra opção é o transfer que alguns hotéis oferecem gratuitamente (em alguns é pago). Se informe sobre tudo isso e, novamente, faça um cálculo médio.

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Gastos extras

Para uma viagem ultra econômica é isso, né! Mas a real é que ninguém vive sem um souvenir, um sorvetinho de sobremesa… Já coloque um tantinho a mais na sua soma para esses gastos que alguns chamam de supérfluos, mas que eu super acho que fazem parte da experiência.

Como calcular o câmbio?

Se for um destino nacional, isso basta. Mas, supondo que seja um destino internacional, seu cálculo dos gastos da viagem terá de ser convertido. Na teoria é simples, mas na prática muitas vezes pode ficar confuso, especialmente quando os valores são muito diferentes – ou quando você é de humanas.

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No caso do dólar, se estiver valendo 5 reais, é só multiplicar ou dividir por 5 e fazer a conta. Quando era 2 reais então, mais fácil ainda (e muito melhor, mas não vamos falar disso senão a gente chora). Já no caso do peso chileno, que vale sei lá quantos mil, fica mais complexo.

Minha dica: faça os cálculos antes de ir e, ao chegar no destino, esqueça. Tem uma frase que me disseram tempos atrás quando fui viajar pela primeira vez: “quem converte não se diverte”. Não fique pensando quanto isso custaria em reais.

Saber o valor médio da cotação é, sim, importante, até mesmo caso precise trocar dinheiro lá ou para não ser enganado com os preços das coisas. E, com o tempo, você vai entender que um lanche custa, por exemplo, X. Que um souvenir simples custa Y. Mas não entre na loucura de ficar querendo calcular tudo o tempo todo porque isso pode acabar tirando parte da graça da sua viagem.

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Como levar dinheiro na viagem

Cálculos feitos, chega a hora de se decidir sobre a forma de levar dinheiro para a viagem. Em espécie? Só cartão? Em viagens internacionais as dúvidas aumentam. Já levar trocado pela moeda local? Deixar para fazer o câmbio no destino? Precisa de algum cartão específico?

De novo, não há uma resposta certa ou definitiva. Vai depender de como cada um preferir. Vou compartilhar como eu faço com base nas experiências que já tive/conheço.

– Levar tudo em dinheiro já na moeda local

Gosto desta opção porque me ajuda a ter mais controle dos meus gastos. Especialmente em países onde a moeda é bem mais cara que o real, acho que vale a pena. Então faço um cálculo de quanto precisaria, jogando sempre para cima. Depois faço cotação em diferentes casas de câmbio e compro na que estiver mais em conta. Mas levo também o cartão, porque podem ter alguns imprevistos.

– Levar em reais para trocar no destino

Em alguns países, especialmente na América Latina, vale a pena fazer o câmbio no próprio local. Especialmente nos que têm muitos brasileiros, como Argentina. De toda forma, é bom já levar uma parte trocada, para os gastos iniciais – saída do aeroporto, alimentação, sabe-se lá quando você vai encontrar uma casa de câmbio. Claro que indico pesquisar antes para saber onde tem. E não indico fazer câmbio no aeroporto, pois as taxas costumam ser (bem) mais altas.

– Levar o cartão

Para que seu cartão de crédito possa ser usado, é preciso desbloquear a função internacional. Isso pode ser feito pelo aplicativo ou telefone. E deve ser feito com alguns dias de antecedência, já que leva um tempinho até o desbloqueio acontecer. Ao solicitar a função internacional, você escolhe também até que data ficará desbloqueada (eu sempre jogo alguns dias para frente depois da data da volta). Assim o cartão estará pronto para ser usado em qualquer compra, da mesma forma como se usa no Brasil, o que é muito prático. Onde a moeda é mais cara pode ser um risco, mas nos de moeda mais baixa eu acho que compensa. De toda forma, se controle com o cartão e não se esqueça que a fatura chega!

– Cartão pré-pago

Nunca usei, mas é um cartão que, antes de viajar, você coloca um determinado valor. E depois vai usando durante a viagem. A ideia é semelhante à de já levar o valor todo que pretende gastar, só que ao invés de levar em espécie, fazer isso colocando como recarga no cartão pré-pago.

– Sacar dinheiro no destino

A maioria dos destinos possuem caixas eletrônicos onde é possível sacar moeda local direto com o seu próprio cartão. Eu nunca usei esta opção e, das recomendações que já li, todas dizem para evitar, principalmente por causa das taxas. Deixe para fazer isso apenas se for uma situação emergencial.

Como eu faço:

Acho que o ideal mesmo é um pouco de cada. Parte já trocada, parte em reais e o cartão. Como disse, eu gosto de já levar em dinheiro o valor que pretendo gastar. Em países com dólar e euro, que são mais caros que nossa moeda e costumam sofrer mais variações, já levar tudo na moeda local me dá certa segurança. Deixo o cartão apenas para momentos emergenciais – já precisei de farmácia, por exemplo.

Em países da América do Sul, que têm moeda mais baixa e possivelmente sem grandes surpresas, não vejo problema em levar menos dinheiro, só para as despesas miúdas, e passar os gastos diários (alimentação principalmente) no cartão. No Brasil também, pouco dinheiro e maior parte no cartão.

No mais, é algo que vai de cada um. Quem faz – como eu muitas vezes já fiz – viagens com grana mais contada, vai querer economizar na viagem. Quem tem um pouco mais de dinheiro, não vai precisar se preocupar tanto.

E você, como costuma fazer? Tem alguma dica diferente de como se organizar financeiramente para uma viagem? Compartilhe nos comentários!

* Imagem principal: Allange por Pixabay

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