10 lugares em Paris onde mulheres fizeram história

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Paris, capital da França, foi o primeiro destino internacional que conheci, no longínquo ano de 2009, na companhia de um amigo. Ainda me lembro da sensação ao ver alguns lugares pela janelinha do avião, durante o pouso, antes mesmo de chegar de fato à cidade. Sensação que permaneceu por toda a viagem. Foram dias admirando cada rua, cada descoberta, cada construção, cada arte, cada árvore. De cima ou de perto, Paris me encantou.

Desde então, estive em muitos destinos pelo Brasil e pelo mundo. Comecei a viajar sozinha, a escrever sobre temas voltados para o empoderamento feminino, fui a lugares que eu também queria conhecer e que também gostei de conhecer. Mas era Paris que aparecia sempre que eu pensava em viajar novamente.

Só alguns anos depois aconteceu de novo. Sozinha. Uma cidade linda, cheia de vida. E com uma história permeada também por muitas mulheres, o que me fez ter um olhar diferente para alguns pontos.

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As mulheres na história de Paris

Embora pouco conhecidas ou pouco faladas, há muitas mulheres que fazem parte da formação de Paris e que influenciaram o destino da cidade, da Idade Média à Revolução Francesa, do Iluminismo ao século XX.

Estar nos lugares onde elas viveram ou por onde elas passaram e entender quais foram os seus papéis, ajuda a mudar a percepção de lugares que, majoritariamente, têm referências masculinas. E joga luz sobre a importância das mulheres em diversos aspectos da história da cidade.

Muitos desses lugares são famosos e já estão presentes no roteiro de qualquer turista que vai a Paris, mas podem ganhar um novo significado se vistos pela perspectiva das histórias femininas. Veja onde ir!

Museu do Louvre

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A principal obra de arte do Louvre retrata uma mulher, a Monalisa, pintada por Leonardo da Vinci. É uma das imagens mais famosas em todo o mundo. Mas as mulheres também estão presentes de outras formas no museu, como autoras de obras.

A representatividade ainda é baixa, mas é interessante ver aquelas que romperam barreiras. Entre elas Marguerite Gérard, autora do quadro “L’Élève Intéressante” e um dos nomes mais importantes das artes do final do século XVIII, assim como Adelaide Labile-Guiard, Anne Valayer-Coster e Elisabeth Vigée Le Brun que também estão no museu. Com um guia nas mãos, fica mais fácil procurar por cada uma delas enquanto passa pelas muitas galerias durante a visita.

Além disso, pela primeira vez na história o Louvre está sendo dirigido por uma mulher, a historiadora Laurence des Cars.

Endereço: Rue de Rivoli, 1° arrondissement – Paris.

Funcionamento: de quarta a segunda, de 9h às 18h, com exceção de 1º de janeiro, 1º de maio e 25 de dezembro.

Valor: 17 euros (entrada gratuita todos os primeiros sábados de cada mês de 18h às 21h45).

Como chegar: metrô até as estações Palais Royal-Musée du Louvre (linha 1 e 7), Louvre-Rivoli (linha 1), Tuileries (linha 1) ou Pont-Neuf (linha 7).

Catedral de Notre Dame

A catedral em estilo gótico começou a ser construída no século XII. É uma das mais antigas da França e chama atenção pelos detalhes, principalmente as duas torres de quase 70 metros de altura e os belos vitrais.

O que pouca gente sabe é que os vitrais foram feitos por uma artesã – tarefa que foi incumbida a ela pelo pai, que era mestre de vitrais e com quem ela tinha aprendido o ofício.

Mas, em um período de extremo machismo, no qual mulheres não podiam exercer muitas funções, ela fui humilhada de todas as formas, presa e condenada à morte. Morreu como anônima, não tendo seu nome conhecido e nem incluído oficialmente na história da catedral.

Atualmente as visitas à Catedral de Notre Dame estão temporariamente suspensas em razão das obras de restauração devido aos danos sofridos em um incêndio. A reabertura está prevista para meados de 2024. Por enquanto, só é possível ver do lado de fora e admirar os vitrais, que ficam ainda mais bonitos depois de saber dessa história.

Endereço: Parvis Notre-Dame – Place Jean-Paul II, 4° arrondissement – Paris.

Como chegar: metrô até a estação Cité (linha 4).

Palácio de Versalhes

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Declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o Palácio de Versalhes fica nos arredores de Paris e é um dos pontos mais visitados da França. Um passeio que une história, cultura e natureza. Além da enorme construção com arquitetura imponente, os jardins são uma atração à parte, com plantas, árvores, estátuas e fontes.

O Palácio de Versalhes também foi palco de acontecimentos importantes, como a Marcha das Mulheres, em outubro de 1789, que ficou marcada como um dos principais eventos da Revolução Francesa.

Revoltadas com o luxo ostentado pela realeza enquanto a população passava fome, um grupo de cerca de 6 mil mulheres marcharam sob chuva, protestando e reunindo cada vez mais pessoas, até invadirem o Palácio, cobrando que o rei assinasse a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

Mulheres simples, pobres, sem estudos, mas cientes da necessidade de mudanças. Diante de toda a grandeza do palácio, que realmente impressiona durante uma visita, é interessante imaginar como foram esses acontecimentos.

Endereço: Place d’Armes – Versailles.

Funcionamento: de terça a domingo, de 1º de abril a 31 de outubro de 9h às 18h30 (jardim todos os dias de 8h às 20h30) e de 1º de novembro a 31 de março de 9h às 17h30 (jardim todos os dias de 8h às 18h).

Valor: 20 euros

Como chegar: RER Versailles Rive Gauche (linha C) e trem Versailles Chantiers ou Versailles Rive Droite.

Place de La Concorde

Place de La Concorde, CC BY-SA 2.5, via Wikimedia Commons

Impossível falar de mulheres na história da França sem citar Olympe de Gouges. Depois da Marcha das Mulheres sobre Versalhes e da assinatura da Declaração dos Direitos do Homem, ela ousou apontar que o documento estava incompleto, pois não abrangia os direitos da mulher.

Olympe, cujo nome de registro era Marie Gouze, se casou aos 17 anos contra a sua vontade. Ficou viúva ainda jovem, com um filho pequeno. Passou a se permitir uma liberdade que não era comum às mulheres da época. E lutou para que essa liberdade fosse um direito de todas.

Em 1791 ela criou sua própria “Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã”. Foi uma ativista política pioneira pelas causas femininas e, por causa disso, foi presa pelas autoridades e morta na guilhotina na Place de la Concorde.

Construída na segunda metade do século XVIII com o nome de Place de la Révolution, essa é a maior praça de toda a França e palco de importantes acontecimentos históricos. Com o fim da Revolução Francesa, passou a se chamar Place de la Concorde. E ainda hoje é impossível passar por lá sem pensar em tudo isso.

Endereço: 8° arrondissement – Paris.

Como chegar: metrô até a estação Concorde (linhas 1, 8 e 12).

Hôtel de Ville

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O Hôtel de Ville é a sede do governo municipal de Paris desde 1357. Mas só em 2014, pela primeira vez uma mulher ocupou a presidência da Câmara Municipal de Paris (equivalente ao cargo de prefeito em alguns lugares). Na minha primeira visita à cidade, isso ainda não tinha acontecido. Na segunda, sim.

Anne Hidalgo, filha de imigrantes espanhóis e formada em Direito Social, foi a primeira mulher na história a administrar a capital francesa. Em 2020 ela foi reeleita para um novo mandato de mais seis anos à frente da prefeitura de Paris.

Vale citar também que, embora reconhecida como berço do feminismo, a França foi um dos últimos países a permitir que mulheres pudessem votar, o que só aconteceu na década de 1940, muitos anos depois de outros países europeus e até mesmo do Brasil.

Endereço: Place de l’Hôtel de Ville, 4° arrondissement – Paris.

Funcionamento: de segunda a sexta de 8h às 19h30.

Valor: gratuito (visitas guiadas individuais ou em grupo).

Como chegar: metrô até a estação Châtelet (linhas 1, 4, 7, 11 e 14) ou Hotel de Ville (linhas 1 e 11).

Jardim de Luxemburgo

Meu lugar preferido em Paris foi idealizado por uma mulher: Maria de Médici, viúva do Rei Henrique IV.

O Jardim de Luxemburgo tem mais de 22 hectares e é um espaço público com muitas flores, lagos, estátuas e fontes, que ficam especialmente bonitos durante a primavera e o verão, mas também têm seu charme no outono. Ao fundo, está o Palácio de Luxemburgo, onde funciona a sede do Senado na França.

A ideia da construção, que teve início no começo do século XVII, foi inspirada nos jardins do Palácio de Pitti de Florença, na Itália, onde Maria passava as férias na infância.

Rainha consorte da França de 1600 até 1610, ela ordenou a plantação de diversas espécies e orientou os especialistas em jardinagem para que tudo ficasse do seu gosto.

Hoje é um espaço de lazer, onde muita gente aproveita para descansar ou até mesmo para fazer refeições enquanto admiram sua beleza singular.

Endereço: 6° arrondissement – Paris.

Como chegar: metrô até a estação Théâtre De L’Odéon (linha 13) ou RER até Luxembourg (RER B).

Universidade Paris-Sorbonne

Criada no século XIII como uma escola de tecnologia, a Sorbonne é uma das universidades mais antigas da história e uma das mais respeitadas do mundo. Chegou a ser fechada durante a Revolução Francesa, mas reabriu e foi expandida.

Só muito tempo depois teve sua primeira professora mulher: a cientista Marie Curie, física e química polonesa naturalizada francesa e um dos nomes femininos mais importantes da história devido às suas pesquisas pioneiras na área da radioatividade.

Marie Curie enfrentou diversos desafios impostos pela sociedade do início do século XX e mostrou que o mundo científico não era uma exclusividade masculina, provando que as mulheres também tinham muito valor intelectual e que eram capazes de descobertas importantes.

Além de ser a primeira mulher a lecionar na Sorbonne, foi a primeira pessoa a receber o prêmio Nobel duas vezes (um de Física e um de Química).

Endereço: 47 rue des Écoles, Quartier Latin, 5° arrondissement – Paris.

Funcionamento: visitas guiadas às 10h30 e às 14h30, com agendamento prévio pelo site.

Valor: 15 euros.

Como chegar: metrô até a estação Cluny – La Sorbonne (linha 10).

Olympia

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Edith Piaf é um dos grandes nomes da música francesa e celebrada em todo o mundo por clássicos como “La Vie en Rose” e “Non, je ne regrette rien”. Mais que isso, é uma estrela que sempre teve a cara de Paris.

Por isso, nada melhor que passar por lugares que fizeram parte da sua história. E um dos palcos onde Piaf se apresentava é o da casa de shows Olympia (ou L’Olympia), uma das mais tradicionais da cidade.

Não cheguei a entrar, apenas passei na porta durante um passeio em um ônibus turístico. Mas é um lugar cheio de fotos dela e onde, eventualmente, acontecem shows com artistas locais prestando homenagens.

Para os fãs, há também um museu dedicado a ela, o Musée Édith Piaf (5 Rue Crespin du Gast). Entre os itens do acervo, o vestido preto usado no seu último show, em 1960, que foi realizado exatamente no Olympia.

Endereço: 28 Bd des Capucines, 9° arrondissement – Paris.

Funcionamento: verificar datas e horários de cada espetáculo.

Valor: varia dependendo da atração.

Como chegar: metrô até a estação Madeleine (linhas 8, 12 e 14) ou Opéra (linhas 3, 7 e 8).

Café de Flore

ayustety, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

A escritora e ativista política Simone de Beauvoir era frequentadora assídua do Café de Flore, sempre na companhia do marido, Jean Paul-Sartre. O casal se conheceu na Universidade de Sorbonne, onde ambos estudaram filosofia.

Em funcionamento desde a década de 1880, o café é um lugar charmoso e agradável no bairro Saint-Germain-des-Prés. Ótimo para um lanche entre um passeio e outro por Paris.

Para nós, mulheres, principalmente viajando sozinhas, é uma oportunidade de estar no mesmo local onde já esteve Simone de Beauvoir, que tanto discutiu o papel da mulher na sociedade e a opressão feminina num mundo dominado pelo homem. E teve uma grande contribuição na luta pela igualdade de gênero.

Endereço: 172 Bd Saint-Germain, 6° arrondissement – Paris.

Funcionamento: diariamente de 7h30 à 1h30.

Como chegar: metrô até a estação Saint-Germain-des-Prés (linha 4).

Torre Eiffel

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O símbolo máximo de Paris não poderia ficar fora da lista, mesmo não tendo uma mulher diretamente ligada à sua história. Mas há quem diga que a Torre Eiffel tenha sido construída como uma declaração de amor a uma mulher pela qual o engenheiro Gustave Eiffel era apaixonado.

Ou seja, o ponto turístico mais visitado do mundo, que recebe mais de 6 milhões de pessoas por ano, teria tido uma inspiração feminina. É feminino, também, o apelido pelo qual os parisienses se referem à Torre: Dama de Ferro.

Se a história é ou não real, não se sabe, mas é certamente um atrativo que nunca irá faltar na lista de lugares para conhecer em Paris! E não dá para negar que com seus 300 m de altura, é um dos monumentos que dão à cidade um ar de romantismo.

A Torre Eiffel desperta o encantamento em qualquer pessoa, seja ao vê-la distante em meio à paisagem ou ao chegar perto e subir até o topo.

Endereço: Champ de Mars, 5 Av. Anatole France, 7° arrondissement – Paris.

Funcionamento: diariamente, de 9h à meia-noite da metade de junho até o início de setembro e 9h30 às 23h nos demais dias.

Valor: 25,90 euros para subir até o topo de elevador (há valores mais baixos para subir trechos de escada).

Como chegar: metrô até as estações de Trocadéro (linha 9), Bir-Hakeim (linha 6) ou Ecole Militaire, (linha 8).

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Como chegar e se locomover em Paris

Há voos diretos diariamente saindo das principais capitais brasileiras pela Air France/KLM e pela Latam (e de outras companhias com escala) e chegando no Aeroporto Internacional Charles de Gaulle, que é um dos maiores e mais bem estruturados da Europa.

Para se deslocar a partir do aeroporto, a melhor opção é o trem RER. Os tíquetes são vendidos nas máquinas que ficam na área chamada Paris by Train – basta seguir as placas indicativas. O valor é de 10 euros.

O RER B vai até a estação Gare du Nord, em um trajeto de aproximadamente 30 minutos. De lá, é possível pegar o metrô até o destino final.

Mesmo viajando sozinha, é muito tranquilo. Mas, se for chegar à noite, talvez seja mais indicado pegar um táxi/uber ou contratar um transfer.

Metrô em Paris

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No dia a dia, o metrô é a melhor opção para se deslocar em Paris. São 16 linhas, que atendem a toda a cidade. O funcionamento vai das 5h30 até a 1h (e nas sextas e sábados até as 2h15).

A passagem simples custa 1,80 euro, mas também é possível comprar outros tipos de tíquetes, como passes diários e semanais. Uma boa forma de economizar nos gastos com transporte.

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Onde ficar

Paris tem uma grande variedade de hotéis e hostels, para todos os estilos e todos os bolsos. Ao escolher a hospedagem, a dica é ficar perto de alguma estação de metrô, pois, independentemente da região, o acesso às demais partes da cidade ficará mais fácil.

Outra dica em relação à localização das hospedagens é observar o número do arrondissement – são 20 ao todo, em formato de espiral. Isso significa que, quanto maior for o número, mais a região está afastada do centro.

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Também é importante pensar nos passeios que quer fazer e, a partir do seu roteiro, definir onde ficar. Assim você poderá aproveitar a sua viagem da melhor forma!

 

Foto principal: Pedro Szekely from Los Angeles, USA, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

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