Viajar não é terapia e nem remédio contra a depressão – procure ajuda!

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Muito se vê por aí frases feitas que buscam mostrar o quanto viajar é bom. Algumas são bonitas, poéticas. Outras até são engraçadinhas. Mas uma delas me incomoda muito: a que diz que viajar é o melhor remédio contra a depressão. Não! O mesmo vale para a que diz que viajar é a melhor terapia.

Olha, super concordo que fazer uma viagem melhora nosso ânimo, nosso humor, nos faz ver a vida com outros olhos, cura umas tristezinhas, remenda uns corações partidos, a gente volta mais feliz e poderia fazer uma lista enorme aqui de benefícios. Então, sim, é algo que podemos até chamar de terapêutico. Mas terapia é outra coisa – a gente não resolve nossas questões viajando. E depressão é uma doença que precisa de tratamento, não apenas de sol e mar ou de uma temporada fora do país.

Eu sei, pode parecer que estou problematizando à toa, já que essas frases de viagem são só uma brincadeira, uma forma descontraída de falar sobre essa paixão. Entendo. Sei, também, que para algumas pessoas as viagens podem funcionar, já que há muitas possibilidades que se somam ao tratamento convencional e isso é ótimo.

Mas quis trazer o assunto aqui, pegando o gancho no movimento Setembro Amarelo, que é o mês de combate ao suicídio – consequência mais terrível da depressão. Como não sou especialista nem nada e não quero correr o risco de falar algo indevido, já que se trata de um assunto tão sério. Então conversei com a psicóloga clínica especializada em psicossomatismo  Tânia Campanharo, de São Paulo.

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Ela diz que é bem importante ressaltarmos que a tristeza e melancolia são sintomas que fazem parte das vivências humanas. Temos oscilações de humor por fatores diversos: hormonais, sobrecarga de trabalho, carências, bullying, medos e etc. Entretanto, quando essa tristeza nos impede de agir no mundo, impede nossas atividades cotidianas, aí estamos falando de uma depressão.

Tipos de depressão

Segundo a psicóloga, a depressão pode ser situacional, primária ou secundária:

A situacional é decorrente de um motivo específico, como luto, doenças, relacionamentos, perda de emprego ou situações pontuais. Na maioria das vezes não precisamos de antidepressivos, mas sim psicoterapia para entendermos os gatilhos e ressignificarmos as causas.

Já na primária ou secundária existe um quadro patológico, com processos bioquímicos no cérebro que estão em desajuste e precisam de medicação. Enquanto a primária é hereditária, a secundária pode vir de algum outro desequilíbrio psíquico, como bulimia, anorexia e outros.

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Tratamento para depressão

E, seja qual for a causa ou o tipo da depressão, é necessário buscar ajuda de um profissional (psicólogo ou psiquiatra) para que o diagnóstico seja feito. Seja porque você mesmo percebeu que está diferente ou por ter notado em alguém próximo e quer ajudar. “É bem mais fácil que as pessoas que convivem com um depressivo percebam mais facilmente do que ele próprio, afinal ele se isola, não tem energia e disposição para atividade simples, pode ter insônia ou dormir em excesso, não se alimenta adequadamente e se descuida até mesmo em questões de higiene”, explica.

O tratamento da depressão varia, mas em todos os casos o acompanhamento psicoterápico é fundamental para evitar novas crises. “O medicamento é um apoio necessário em muitos casos, mas pode ser retirado quando o indivíduo estiver bem e consciente de seus gatilhos e complexos, sempre sob orientação médica. Porém, há um excesso de medicação atualmente, o que pode mascarar outras doenças importantes e impedir a pessoa de se entender, de lidar com o que a doença quer dizer em sua vida, o que pode levar até mesmo ao suicídio, pois a pessoa não vê saída para seu problema. Quem não busca a análise, fica dependente do medicamento e tem sempre novas crises que podem ser ainda maiores e mais intensas”, diz.

Ela comenta, também, que a sociedade tende a excluir o depressivo por não saber lidar com a doença. E isso faz com que muita gente indique terapias alternativas, religião, livros de autoajuda, etc, pois acreditam que estão ajudando. “Em muitos casos ajuda, sim, pois o depressivo sente que tem ajuda e apoio dos amigos. Mas meditação, esportes e livros não bastam. O indivíduo precisa dessa visão externa e profissional sobre si e, muitas vezes, precisa de medicação”, afirma.

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Depressão x Redes Sociais

Outro ponto que quis abordar foi a respeito de como as redes sociais – em geral e mais forte no caso específico das viagens – podem estar ajudando a desencadear ansiedade e outros transtornos psicológicos. “O suicídio aumentou 27% entre os jovens. Isso me leva a pensar sobre as redes sociais, onde é tudo lindo e perfeito, aumentando as distâncias entre as pessoas e a solidão. Ela diz também que pessoas com personalidades mais introspectivas tendem a ser mais “depressivas”, pois voltam sua energia para dentro de si mesmas. Mas não quer dizer que sejam depressivas patologicamente”, explica.

O segredo, segundo ela, está no caminho do meio, sem exageros em qualquer área da vida, seja ela profissional, social, afetiva, espiritual. E virtual! “Precisamos ser mais cuidadosos com nós mesmos e buscarmos sempre a análise para integrarmos conteúdos e ampliarmos a consciência. Praticar a autoanálise com frequência também ajuda, observar os sinais do corpo nos torna mais perceptíveis, mais sensíveis aos gatilhos. Fale de suas dores, angústias, medos, fracassos, felicidades e alegrias. Afinal, somos humanos e relacionais, vivemos da troca e aprendemos muito com ela. E, principalmente, indico fazer algo que goste, seja um esporte, dança, sair com amigos, cozinhar… Esteja atento ao que lhe dá prazer e se presenteie com isso”, finaliza.

Peça ajuda! O CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece apoio gratuito e sigiloso por telefone, chat, Skype, e-mail e pessoalmente. Ligue 188 ou acesse o site do CVV https://www.cvv.org.br/

 

Foto: Imagem de skeeze por Pixabay

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